Miscelânea

TAQUARA DAS CASAS E PESSOAS ABANDONADAS

Hoje, novamente, esta coluna será dedicada a tratar de um tema específico e local: as casas abandonadas de Taquara, seus “novos moradores” e a apreensão dos residentes na cidade.

Para fundamentar esta escrita busquei informações com a Secretaria de Assistência Social sobre o mapeamento dos moradores de rua do município, das pessoas em situação de vulnerabilidade social, dos atendidos por serviços de assistência, dos desabrigados temporários e afins. Após falar com algumas pessoas por telefone, na Assistência e no CREAS, me sugeriram ir pessoalmente ao CREAS para uma conversa diretamente com o Coordenador para ter acesso a essas planilhas e dados. Como trabalho durante o horário em que poderia conversar com o Coordenador, optei por escrever esta coluna sem os dados do munícipio e embasar esta escrita em minhas experiências pessoais e na experiência que vivenciamos nas proximidades de nossas residências e dos “olhares” pelos lugares que passamos na cidade. Acredito que estes dados deveriam estar em local público e de livre acesso à população, como nos sites da Prefeitura ou da Assistência Social, tratando-se de mapeamento de números – obviamente sem acesso aos dados dos usuários dos programas. De todo modo, seguimos na dúvida.

Semana passada utilizei este espaço para denunciar a onda de violência que estamos sofrendo em algumas localidades de nossa cidade. Essa semana me detenho no mesmo tema, porém sob outro viés: o da quantidade de moradores de rua ou desabrigados que acabam “morando” nas casas abandonadas da cidade. Sabemos que as casas possuem proprietários e que estes são os responsáveis legais pelos imóveis, entretanto, no momento em que estes faltam cabe ao poder público tomar as devidas providências. Exemplificando, temos nas mesmas ruas citadas na coluna anterior casas abandonadas que se tornaram moradia de dependentes químicos que, não raras vezes, assediam a população da região batendo em seus portões com pedidos de “ajuda”. Não raras vezes também andam pelas ruas da cidade atacando os motoristas e pedestres pedindo dinheiro ou algum outro tipo de coisa.

É sabido também que não são somente os moradores dos arredores destas casas abandonadas que sabem da existência dessas situações, os responsáveis pelo bem-estar da população também o sabem, e muito pouco fazem ao que parece quando observamos que estas situações são recorrentes e vem de longa data já. Nos sentimos também abandonados por quem deveria agir nessas situações.

E aí me pergunto: qual a solução para isso?

E penso: situação complexa exige soluções complexas e que demandam muito conhecimento sobre o tema e apoio legal, jurídico e estatal para que algo seja feito. Posto isso, percebo que não cabe a mim achar a solução para estes problemas; nem a mim e nem à população: cabe aos nossos representantes no poder público. A eles cabe a tarefa de buscar as soluções para essas situações e a eles cabem as ações efetivas necessárias.

Neste momento, a mim cabe apenas ser a voz de um grupo de moradores e moradoras cansados e cansadas de tanto descaso. Cada um com sua responsabilidade, fazendo valer o valor pago pelos contribuintes desse município.

A César o que é de César!

Por Ana Maria Baldo
Professora, de Taquara
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