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Taquara é selecionada para projeto internacional que moderniza redes elétricas com base na demanda real dos consumidores

Trabalho será realizado em oito países: Brasil, África do Sul, Tunísia, Quênia, Nigéria, Etiópia e Tanzânia
Secretário Douglas Kaiser (esq), juntamente com a prefeita Sirlei Silveira e o vice-prefeito Delmar Backes, receberam a visita de Thomas Fuhr no final de outubro (Cris Vargas/Prefeitura de Taquara)

A cidade de Taquara foi uma das selecionadas no Brasil para implementar um projeto inovador, voltado à modernização e digitalização dos sistemas energéticos. Trata-se da iniciativa “Redes Elétricas Digitais Orientadas pela Demanda (3DEN)”, coordenada pela Smart City Instruments, uma spin-off da Universidade da Calábria (UNICAL), que liderou a proposta intitulada “VERDE – Energia Vital para um Ecossistema Digital Resiliente”, em parceria com o Departamento de Engenharia Mecânica, de Energia e de Gestão da UNICAL; o Departamento de Engenharia Mecânica, Química e de Materiais (DIMCM) da Universidade de Cagliari; a spin-off R&DCal da UNICAL; a Prefeitura de Taquara, a Universidade FACCAT e a empresa taquarense Pináculo. Outros parceiros aderiram ao programa durante a fase anterior a escolha, como a ONG Vida Breve e o Instituto Taquara Mais, e está ocorrendo uma aproximação com a concessionária de energia elétrica.

Anterior a fase de escolha, no final do mês de outubro, a prefeita Sirlei Silveira, o vice-prefeito Delmar Backes e o secretário de Orçamento e Finanças, Douglas Kaiser, receberam a visita de Thomas Fuhr, especialista em Finanças Sustentáveis da BASE — Fundação Suíça sem fins lucrativos, e parceira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A visita integrou uma das fases de participação, com a realização de due-diligence.

A Fase II do projeto foi divulgada oficialmente em 19 de novembro, durante a COP30, em Belém (PA), em ação coordenada pelo PNUMA, pela Agência Internacional de Energia (AIE) e com apoio do Ministério do Meio Ambiente e Energia da Itália.

Entre 2020 e 2024, a Fase I da iniciativa 3DEN aprofundou o papel da digitalização na descarbonização e modernização dos sistemas elétricos, explorando temas como modelos de negócios inovadores, eficiência energética, carregamento inteligente e interoperabilidade. O programa também promoveu intercâmbios entre governos, organizações internacionais e o setor privado, fortalecendo a cooperação global para um futuro energético sustentável.

A Fase II avança na implementação de projetos-piloto voltados à criação de sistemas energéticos mais flexíveis e resilientes, com foco nos setores urbano e agroalimentar. O trabalho será realizado em oito países: Brasil, África do Sul, Marrocos, Tunísia, Quênia, Nigéria, Etiópia e Tanzânia. A nova etapa expande o escopo para além do setor energético, passando a abranger o sistema agroalimentar, com o uso de ferramentas digitais capazes de reduzir o consumo de energia, aprimorar a eficiência hídrica e fortalecer a resiliência climática.

Para o Diretor de Alterações Climáticas do PNUMA, Martin Krause, a modernização das redes é essencial para acelerar a transição energética. “Temos os recursos e as tecnologias renováveis para descarbonizar rapidamente, mas sem redes modernas estas soluções não conseguem atingir seu pleno potencial. A Fase II do 3DEN preenche essa lacuna crítica, ajudando os países a modernizar a infraestrutura digital dos seus sistemas energéticos, garantindo que a energia limpa seja fiável, acessível e disponível para todos”.

O Ministro do Meio Ambiente e Segurança Energética da Itália, Gilberto Pichetto Fratin, destacou o orgulho do país em ter idealizado e financiado a iniciativa. “A experiência italiana, desde medidores inteligentes até a integração de energia renovável distribuída, demonstra que a tecnologia digital é um motor de resiliência, competitividade e igualdade.”

Após um rigoroso processo de elegibilidade e due diligence, 14 projetos foram aprovados mundialmente, somando um volume de investimento de US$ 28,6 milhões.

Taquara: destaque em projeto de colaboração internacional

Taquara já havia sido pré-selecionada nas fases anteriores da iniciativa e, no fim de outubro, recebeu a visita de Thomas Fuhr para a etapa de due diligence. A confirmação da participação da cidade reforça o posicionamento do município, de ampliar parcerias, inclusive internacionais, no cenário de inovação e sustentabilidade.

Para a prefeita Sirlei Silveira, a escolha de Taquara representa o reconhecimento de uma gestão baseada na cooperação: “Um dos princípios que norteia a gestão municipal de Taquara é a parceria, representada por envolver diferentes pessoas e entidades. De forma integrada, temos mais condições de alcançar resultados, como a escolha de Taquara dentro da iniciativa 3DEN, de caráter internacional. Também representa a capacidade técnica dos nossos colaboradores e parceiros”.

O vice-prefeito Delmar Backes destacou os impactos positivos do sistema avançado de gestão energética: “A implantação de uma solução que ajusta, em tempo real, oferta e demanda de energia coloca Taquara na vanguarda da modernização energética. É um passo importante para tornar nosso consumo mais inteligente, eficiente e sustentável”.

Representando a parte técnica do projeto, o secretário Douglas Kaiser ressaltou o avanço das articulações internacionais: “O município tem se destacado em aproximações e fortalecimento de laços com diferentes projetos e entidades, inclusive internacionais, como é o caso do Projeto VERDE, financiado pelo PNUMA e parceiros. Buscamos constantemente iniciativas integradas, com foco em inovação, sustentabilidade e desenvolvimento”.

Projeto-piloto “VERDE” será o foco da implementação em Taquara

O projeto-piloto local, denominado “Projeto VERDE”, contemplará pontos estratégicos do município, incluindo:

– residências familiares,

– salas de aula móveis da FACCAT,

– a UBS do bairro Santa Maria,

– a sede da ONG Vida Breve.

Nesses locais serão instalados sistemas fotovoltaicos, além de sensores ambientais e de consumo. Uma plataforma digital permitirá monitorar, em tempo real, a produção, o armazenamento e o uso da energia, oferecendo recomendações automáticas para deslocamento de carga e respostas em momentos de pico — passo inicial para a criação de uma futura comunidade energética operada por uma Usina Virtual de Energia.

O projeto também possui um componente social inovador: um aplicativo móvel com gamificação, que incentivará comportamentos mais eficientes por meio de pontos, distintivos e recompensas de parceiros locais. Essa estratégia será reforçada por oficinas, treinamentos e ações de conscientização, promovendo a participação ativa da comunidade.

O Projeto VERDE pretende estabelecer um modelo sustentável e duradouro, modernizando a infraestrutura energética do município e estimulando a criação de uma comunidade digital consciente, eficiente e comprometida com um futuro mais limpo e resiliente.