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Taquara se despede de Jair Lemos: relembre a história que evitou leilão do estádio do Taquarense

Panorama recordou ligação de Jair Lemos com o Sport Clube Taquarense em edição especial publicada em 2011.

Morreu, nesta quinta-feira (19), aos 84 anos, o taquarense Jair Andrade de Lemos (foto), ex-comerciante do município. O velório está ocorrendo na capela D de Taquara e o sepultamento será às 16 horas, no Cemitério Municipal de Taquara. Ligado ao futebol, Jair empresta seu nome, também, ao estádio do Sport Clube Taquarense, junto com o irmão, Juarez. Voluntário, Jair também atuou em diversas entidades, sendo, ex-presidente da Sociedade Hospitalar de Caridade, antiga mantenedora do hospital taquarense.

Panorama registrou a ligação de Jair com o clube esportivo do município na edição de 25 de novembro de 2011, que publicou caderno especial comemorativo ao centenário do Sport Clube Taquarense. Com o título “Irmãos Lemos: vidas unidas pelo futebol e o Taquarense”, foi ressaltada a história de Jair e Juarez Lemos no envolvimento com o time. Ambos iniciaram no Taquarense ainda bem jovens como jogadores.

Naquela ocasião, Jair sentenciou: “enquanto for vivo, eu cobro a diretoria, pois sou taquarense”. Contou detalhes de uma passagem recente que deixou dura lição à torcida e ao clube. Devido a um processo trabalhista, o Taquarense quase chegou a ficar sem sede. Jair contou que, naquele ano, dividia seu tempo entre gerenciar seus negócios e a presidência do então Hospital de Caridade.

Ao chegar em seu escritório, no final da tarde de uma sexta-feira, seu irmão Juarez o aguardava com um semblante combalido que não era de seu costume, alcançando a edição do Panorama daquele dia. Foi quando, ao olhar a capa do jornal, simplesmente não acreditou no que estava vendo: uma foto do estádio na rua Federação que estava na iminência de ir a leilão. Com o aval do irmão, decidiu “abraçar a bronca”.

Jair e Juarez realizaram uma rifa, com o valor de mil reais, que sortearia um carro. A meta era tentar vender ao menos 30 números. Mas, o resultado não foi o esperado. Com a venda irrisória, a saída encontrada foi tirar algum do próprio bolso. Mas ainda não era o bastante. E o prazo foi encurtando. Faltando algumas semanas para o leilão se realizar, Jair compartilhou todo o problema com Nestor de Paula, que logo o tranquilizou: “Fica calmo. Prometo que vou te ajudar.” Na semana seguinte, Enécio Decker foi ao escritório dos irmãos Lemos entregar um envelope. Ao abrir o mesmo, Jair constatou que continha um cheque no valor de 12 mil reais. “Meu irmão disse que fiquei branco”, recorda. Promessa cumprida.

Passado o sufoco, o estádio foi batizado Jair e Juarez Lemos, principais responsáveis em impedir o leilão da sede do Taquarense. “Agradeço ao Panorama. Se não tivesse lido no jornal, talvez não tivesse tido tempo de ter feito algo”, salientou emocionado. Mas a grata surpresa veio no sorteio do automóvel. O número premiado pela loteria federal foi 8.164, que trazia em seu canhoto o seguinte rabisco: Calçados Azaléia.

Reprodução da página do Panorama com a matéria especial sobre a ligação de Jair Lemos com a história do Taquarense: