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Taquara Summit: os ensinamentos das palestras de Santiago Uribe e Tinga

Antropólogo responsável por um dos cases mais bem-sucedidos da América Latina em transformação urbana e ex-jogador da dupla Grenal compartilharam experiências de inovação e de vida
Paulo César Tinga (Fotos: André Amaral/Rádio Taquara)

Na sexta-feira (25), o Centro de Eventos da Faccat, em Taquara, foi palco da segunda edição do Taquara Summit, o maior evento de inovação e empreendedorismo do Vale do Paranhana. Com um público diversificado, composto por empresários, estudantes e empreendedores, o evento vem se consolidando como uma plataforma de troca de conhecimento e inspiração, reforçando seu papel como motor de transformação regional.

Entre os destaques na programação, o antropólogo Santiago Uribe, diretamente de Medellín, Colômbia, e Paulo César Tinga, ex-jogador da dupla Grenal.

Uribe é tido como um dos grandes nomes da inovação social e urbana na América Latina, com uma trajetória marcada por seu papel transformador em Medellín. Ele foi secretário de Desenvolvimento Social da cidade e líder de projetos que redesenharam o espaço urbano e realizaram novas oportunidades para os cidadãos.

Sob sua liderança, Medellín passou de uma cidade estigmatizada nos anos 90 pelo narcotráfico, violência e criminalidade para uma referência em inovação social. Uma de suas maiores contribuições foi implementar o conceito de “urbanismo social” — uma abordagem que alia desenvolvimento urbano a ações inclusivas, levando infraestrutura, cultura e educação a comunidades antes marginalizadas. Resultado: em duas décadas, a cidade deixou de ser a mais violenta do mundo, tornando-se referência em inovação.

Santiago Uribe (Foto: André Amaral/Rádio Taquara)

Na palestra ‘Cidades Resilientes’, Uribe explicou como as cidades em desenvolvimento podem se tornar centros de inovação promovendo o crescimento sustentável. Ele destacou a importância dos jovens nesse processo, enfatizando o “diálogo intergeracional” como essencial. Segundo o antropólogo, se o objetivo é construir um território empreendedor, é necessário que os jovens façam parte, pois serão eles que, no futuro, liderarão as empresas familiares ou transformarão a forma de interação com o território.

O trabalho como agente de transformação

Paulo César Fonseca do Nascimento, mais conhecido como “Tinga”, carrega no nome a periferia onde nasceu e foi criado, a Restinga. Além de sua brilhante carreira nos campos, onde foi herói de dois mundos no Rio Grande do Sul, passou pelo futebol alemão, português e japonês. Hoje, é uma referência no empreendedorismo e no ativismo social. Após deixar o futebol profissional, investiu em iniciativas conectadas à inclusão social e o desenvolvimento comunitário, buscando usar o esporte e a educação como ferramentas de transformação.

“O trabalho é a única maneira de transformação que eu acredito. Por mais que a gente fale em tecnologia, aprendizagem e conhecimento, se não tiver trabalho, não tem transformação”, disse o craque, que trouxe a Taquara a palestra ‘Quando o espírito empreendedor entra em campo’.

Ele lembrou que, em seu primeiro teste, no Sport Clube Internacional, foi rejeitado pelo treinador por ser “pequeno demais e magro demais”.

“Eu ouvi dele: ‘trabalhe um pouco mais e volte daqui seis meses’. Quando ele falou em trabalho, lembrei do esforço da minha mãe: ‘opa, com trabalho eu vi coisas acontecerem’. Voltei pra Restinga, trabalhei isso e, meses depois, voltei para um novo teste, onde fui novamente reprovado. Na terceira vez em que fui ao Beira-Rio, mais uma reprovação. Voltei chorando e querendo desistir”, lembra.

Mas não acabou ali o sonho.

“Antes de ir para a quarta tentativa, na parada do coletivo, me deparei com uma tomada de decisão: tentar novamente, dessa vez no Grêmio, ou ir para outro caminho, o de ficar numa esquina da periferia e receber dinheiro para avisar quando a polícia chegava no bairro, como faziam meus amigos. Ao entrar no ônibus, a escolha havia sido feita. E passei no teste”, recorda.