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Taquara Summit: Rodaika Dienstbach fala sobre autenticidade e o que continua fazendo sentido na comunicação

Jornalista encerrou a programação do evento contando como a história da avó ajudou a construir sua forma de se comunicar com o público
(Foto: André Amaral/Rádio Taquara)

A autenticidade, a capacidade de contar histórias e a conexão entre pessoas continuam fazendo sentido mesmo diante das transformações provocadas pela tecnologia e pelas novas plataformas. Essa foi uma das principais mensagens de Rodaika Dienstbach no painel “As coisas que continuam fazendo sentido”, última palestra da programação do Taquara Summit, realizada às 17h20 desta sexta-feira (21).

Jornalista, comunicadora, apresentadora de TV e criadora de conteúdo digital, Rodaika compartilhou parte da trajetória construída ao longo de mais de 25 anos na televisão, no rádio e nas plataformas digitais. Ao relembrar o início da carreira, destacou a dimensão das transformações pelas quais passou a comunicação.

Quando começou na RBS, segundo ela, a redação ainda não tinha internet nem computadores. Os profissionais trabalhavam com máquinas de escrever. A lembrança serviu como ponto de partida para mostrar como a comunicação mudou desde então, mas também para defender que alguns elementos permanecem importantes independentemente da tecnologia disponível.

A relação de Rodaika com a televisão começou ainda na infância. Criada nos anos 1970, ela via os aparelhos de TV de tubo como uma janela para o mundo e alimentava o sonho de um dia estar dentro daquele universo. Ainda adolescente, começou a buscar oportunidades em revistas, eventos, concursos e outras atividades que pudessem aproximá-la do objetivo de trabalhar na televisão.

O caminho, porém, não foi linear. Rodaika contou que engravidou ainda muito jovem, quando tinha pouca experiência e nenhuma estrutura. A maternidade representou uma mudança radical de planos, mas também acabou dando a ela mais força para perseguir o objetivo profissional.

Quando a filha, Brenda, ainda não havia completado um ano, Rodaika começou a trabalhar na televisão. Uma das primeiras oportunidades surgiu em Pelotas, para onde se mudou com a filha mesmo sem conhecer a cidade.

Ela definiu a decisão de ir para Pelotas como uma mistura de coragem e “falta de noção”. O salário, segundo contou, mal cobria o aluguel, mas a oportunidade representava uma porta para o sonho que perseguia desde criança.

No novo trabalho, Rodaika encontrou outro desafio: era uma repórter iniciante convivendo com profissionais experientes. A orientação recebida era observar os colegas e fazer como eles faziam. Ela, porém, percebeu que também precisava encontrar uma maneira própria de se comunicar.

Foi nesse momento que uma lembrança da infância ganhou novo significado. Rodaika recordou a avó Maria, uma mulher de origem humilde, que não teve acesso a estudos ou muitas oportunidades, mas que lhe ensinou muito ao longo da vida.

A jornalista percebeu que as dificuldades da avó para compreender determinadas expressões e assuntos apresentados na televisão poderiam servir como referência para sua própria comunicação. A partir daí, passou a imaginar a avó como uma espécie de representação do público para o qual falava. A ideia ajudou a construir uma comunicação mais simples, criativa e próxima das pessoas.

Para Rodaika, essa experiência também mostrou a importância da autenticidade. Segundo ela, cada pessoa carrega uma trajetória formada por escolhas, experiências e histórias que não podem ser reproduzidas por outra pessoa.

A comunicadora defendeu que essa singularidade pode ser um dos principais diferenciais tanto na comunicação quanto nos negócios. Personalidade, história e verdade são características difíceis de copiar e capazes de criar identificação com o público.

“Gente só se conecta com gente”, afirmou.

A partir dessa perspectiva, Rodaika também falou sobre a dificuldade que muitas pessoas enfrentam para se comunicar diante das câmeras e nas redes sociais. Para ela, uma das maneiras de superar esse bloqueio é humanizar a comunicação.

A sugestão apresentada durante o painel foi escolher mentalmente uma pessoa importante, alguém que desperte respeito, carinho e confiança, e imaginar que é com ela que se está conversando diante da câmera.

Em vez de pensar constantemente em quem está assistindo, no algoritmo ou na quantidade de pessoas que poderão ver aquele conteúdo, a proposta é falar de maneira natural, usando a linguagem que seria utilizada em uma conversa real.

Para a comunicadora, essa forma de comunicação permite que a personalidade apareça e ajuda a construir uma conexão mais verdadeira com o público.

A palestra também retomou o próprio percurso profissional da comunicadora, marcado por mudanças de cidade, maternidade, escolhas difíceis, erros e oportunidades inesperadas. A soma dessas experiências, segundo ela, foi o que permitiu que o sonho de trabalhar na televisão finalmente ganhasse sentido.

A participação de Rodaika encerrou a programação de palestras da quarta edição do Taquara Summit, realizada no Centro de Eventos das Faculdades Integradas de Taquara (Faccat). O evento reuniu discussões sobre inovação, empreendedorismo, liderança, inteligência artificial, economia, sustentabilidade, comunicação e desenvolvimento regional.