O ano de 2013 mal começou e já propiciou uma série de fatos históricos. Desde a tragédia que matou 232 jovens em Santa Maria, até a renúncia do papa Bento XVI, o clima também fez história, com uma das maiores tempestades de neve já registradas nos últimos anos nos Estados Unidos. A nevasca aconteceu no final da semana passada e matou 10 pessoas, segundo a agência de notícias Reuters.
Estudando música na Berklee College of Music, o taquarense Raphael Lehnen, que está morando há 10 meses em Boston, no estado de Massachusetts, presenciou de perto a tempestade numa das cidades mais atingidas pela nevasca. Ele, que foi para lá em consequência de uma bolsa de estudos, contou ao Panorama que a tempestade começou na última sexta-feira pela manhã, atingindo seu pico por volta de 20 horas do mesmo dia. “Durou até sábado pela manhã, ou seja, um dia de neve intensa”, lembrou.
Segundo Raphael, a cidade para em casos como estes. “Com o anúncio da tempestade pela mídia local e internet, as pessoas lotam os supermercados no dia anterior para estocarem alimentos e passarem os próximos dias em casa, já que praticamente todos estabelecimentos comerciais deixam de funcionar. A paralisação é vista como medida de segurança proposta pelas autoridades, já que as ruas, rodovias e calçadas acabam completamente cobertas pela neve, o que impede a circulação de veículos. Cada cidade tem sua frota de caminhões preparada para limpar as ruas, mas numa nevasca como essa última, o serviço não é suficiente, pois a neve acumula muito rápido. Perdi a sexta e a segunda-feira de aula em decorrência do cancelamento das classes nesses dias”, comentou.
O taquarense contou que o frio não é o maior problema enfrentado pelos americanos, uma vez que as casas contam com sistemas de aquecimento e existem centros de acolhimento para pessoas que vivem na rua. “O problema maior parece ser a fragilidade em relação à circulação de veículos para casos de emergência, o que as cidades tentam evitar com a remoção constante da neve das estradas. Afora isso, do ponto de vista econômico, chegam a existir cláusulas nos contratos de seguro que garantem o faturamento de determinado estabelecimento comercial se o estado de emergência for decretado”, destacou.
O estudante comentou que se preveniu comprando alimentos na quinta-feira e ficando em casa durante toda a nevasca. “Sábado após a tempestade foi o dia duro de trabalhar para tirar a neve das saídas de garagem da nossa rua. Aqui nevou 26 inches, mais ou menos 66 centímetros. Já é considerada uma das cinco maiores nevascas da história”, contou.



