Um taquarense relata sua experiência em testemunhar a destruição provocada em extensa área de terra que será inundada pela construção de uma hidrelétrica no Mato Grosso do Sul. Trabalhando como operador de motosserra, João Dexheimer, de 39 anos, presenciou em apenas dois meses cenas impactantes que contrastavam entre a imensidão verde da selva e a destruição em larga escala praticada por sua equipe de trabalho.
Segundo o relato de João, sua experiência iniciou quando atendeu um anúncio de um jornal da Capital. Na oportunidade, a empresa Geo Center Consultoria estava convocando operadores de motosserra para trabalhar no Mato Grosso do Sul. Depois de tudo acertado, o taquarense iniciou sua viagem no dia 5 de março, quando dois ônibus partiram de Porto Alegre levando 80 pessoas com destino à cidade de Água Clara. Quando a equipe chegou à fazenda próxima à Usina, que servia de base para os trabalhadores, o taquarense revelou ao seu superior que não sabia operar motosserra, e teve que aprender tudo em apenas um único dia. De acordo com João, a área do reservatório da usina hidrelétrica São Domingos, no Rio Verde, localizada entre os municípios de Água Clara e Ribas do Rio Pardo, será de 1.860 hectares, inundando 23 fazendas de criação de gado, cujos proprietários devem ser indenizados. “Nosso trabalho era cortar a madeira que os tratores derrubavam lá na frente. Tínhamos que cortar sete quilômetros de mata ciliar por dia, em ambas as margens do rio. De vez em quando presenciávamos os operadores dos tratores fugirem correndo do ataque de abelhas enfurecidas”, ressaltou.


