Polícia

Taquarenses procuram por filha desaparecida desde 2019 que teria se envolvido com uma seita em Curitiba/PR

Nadiara Philereno, 28, recebeu um convite, através da Internet, para participar de uma seita que faz uso do chá ayahuasca, conhecido também como Santo Daime.
Nadiara Philereno, 28, está desaparecida desde 2019. Divulgação: Arquivo familiar

Os pais de Nadiara Philereno, de 28 anos, estão em busca de informações que possam ajudar a encontrar a filha, que desapareceu no ano de 2019. A mulher teria conhecido alguém, pela Internet, que lhe convidou para fazer parte de uma seita, que faz uso do chá “ayahuasca”, localizada no Paraná.

De acordo com Eva Philereno, mãe de Nadiara, as últimas notícias que recebeu sobre a filha foram entre os dias 14 e 16 de dezembro de 2019. Um funcionário de uma unidade do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), de Curitiba, no estado do Paraná, entrou em contato com a família informando que Nadiara havia realizado uma consulta no local e que estaria em situação de ‘moradora de rua’. Desde então, vinha mantendo contato com o funcionário, porém, com o início da pandemia, em março de 2020, não obteve mais notícias.

José Alencar Philereno, pai da jovem, relatou em boletim de ocorrência policial, registrado na delegacia de Taquara, nesta segunda-feira (18), que não sabe quem efetuou o convite para que a filha participasse da seita. Na época do convite ela informou que iria morar no estado do Paraná e nunca mais entrou em contato com a família. Nadiara é mãe de dois meninos, de 4 e 9 anos de idade, os quais vivem com os avós, mas perguntam pela mãe com freqüência.

Qualquer informação, sobre o paradeiro de Nadiara, pode ser repasssada para os telefones:

(51) 98121-4159

(51) 98121-3774

Chá ayahuasca ou ‘Santo Daime’

A bebida alucinógena é composta por uma mistura de plantas amazônicas. A ayahuasca ou chá do Santo Daime é o elemento central de rituais xamânicos herdados da cultura indígena. O berço dessas doutrinas fica em Rio Branco (AC) e a bebida é usada há milhares de anos pelos pajés de várias tribos amazônicas do Brasil, do Peru e do Equador.

A ayahuasca é produzida a partir de duas plantas nativas da floresta amazônica: o cipó mariri ou jagube (Banisteriopsis caapi) e folhas do arbusto chacrona ou rainha (Psychotria viridis). O nome quíchua é de origem Inca, o “cipó dos espíritos” ou “vinho dos mortos”, e se refere a uma bebida sacramental.

Com gosto amargo, a cor da bebida varia entre ocre e marrom-escuro e seus efeitos mais comuns são vômito e diarreia. O chá também provoca alucinações e visões místicas. Mas isso não impede que ela seja consumida regularmente por índios da Amazônia ou pelas seitas religiosas como o Santo Daime e a União do Vegetal (UDV).

Para os adeptos do Santo Daime, o encontro com o sagrado é chamado de miração. Já na União do Vegetal, as visões são conhecidas por “burracheira”.

Foi no meio da mata que o seringueiro maranhense Raimundo Irineu Serra conheceu o chá, por meio de curandeiros indígenas. Ele foi instruído a ir para a mata e jejuar. No oitavo dia, sob efeito da ayahuasca, Irineu teve a visão de uma senhora, que se identificou como Nossa Senhora da Conceição, que lhe passou os ensinamentos da igreja que iria fundar. Essa é a história contada pelos seguidores do Santo Daime, seita criada por mestre Irineu, originalmente em Rio Branco, no Acre.

Fonte: Memória/Portal EBC