‘Taxa de logística’ teria sido cobrada do hospital de Parobé enquanto Exército distribuía medicamentos gratuitos

Cobrança proporcionaria a compra de medicamentos por um preço atrativo
Publicado em 17/08/2021 09:34 | Atualizado em 17/08/2021 14:56 Off
Por Cleusa Silva
Fotos: Divulgação/Assembleia Legislativa

O presidente da CPI dos Medicamentos e Insumos Covid-19,  o deputado estadual Dr. Thiago Duarte, junto com o relator,  o deputado estadual Faisal Karam, e o coordenador geral da CPI, Paulo Rogério da Silva Santos, estiveram em Parobé, na segunda-feira (16), vistoriando o Hospital São Francisco de Assis. Na ocasião, o grupo descobriu que uma “taxa de logística” teria sido cobrada da casa de saúde enquanto o Exército distribuía os medicamentos de forma gratuita.

Conforme a farmacêutica Liana Carbone, os sedativos e as luvas tiveram aumentos exorbitantes. “Pra comprar Fentanil tínhamos que gastar o mesmo valor em outras medicações que não estavam em alta no momento do Covid-19.  Além disso, a gente pagava, pra depois o medicamento ser produzido. Teve mercadoria que pagamos em abril e recebemos em junho”, conta Liana.

Já o administrador do Hospital São Francisco de Assis, Joao Schmidtt, relatou que “no auge da pandemia foi preciso realizar substituições de formulações anestésicas para salvar vidas já que as importações do Estado não chegaram até aqui”.

“A Secretaria da Saúde do Estado chegou a oferecer medicamentos por um preço atrativo, porém a mesma cobrava taxa de logística”, disse a farmacêutica, que achou o processo bem estranho.

Programa Assistir

Com os valores a serem redirecionados pelo Governo do Estado, através de um novo programa de distribuição de recursos públicos do Tesouro aos hospitais contratualizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) – o Programa Assistir – o hospital de Parobé deixará de receber R$ 6 milhões do Estado.

Conforme o diretor da casa de saúde, João Schmidtt, o governo não deu oportunidade de debater o assunto, antes de anunciar a retirada dos valores. “Até semana passada enxergávamos a atual gestão como o governo do diálogo, mas querem nos tirar R$ 6 milhões de repasses sem nos dizer o motivo. Em 2019, cumprimos 99% das metas. Tentamos saber o porquê, mas nos mandaram assinar o contrato e contestar depois. A PUC ganhou um monte de dinheiro e não faz um parto sequer. Aqui nascem mais de 160 crianças”, relatou João Schmidtt.

Diante dessa informação, trazida pelo diretor da casa de saúde, o deputado Dr. Thiago Duarte, destaca que a redução de valores destinados a saúde é intolerável e se comprometeu a realizar uma audiência com a Secretaria Estadual da Saúde. “Vamos pedir uma audiência pública urgente na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa e com a Secretaria da Saúde. É inaceitável qualquer tipo de diminuição de recursos para esse e qualquer outro hospital porque quem vai sofrer será a população”, disse o deputado.

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