Polícia

Taxista de Rolante foi raptado por engano e levado a Portão onde foi torturado e morto

Polícia Civil elucidou crime, nesta terça-feira (9), em operação que prendeu quatro pessoas.
Casa em que a vítima teria sido torturada foi encontrada pela Polícia Civil. Divulgação/PC

O desaparecimento do taxista Sérgio Jaime Bernardes, 64 anos, que foi raptado há 11 dias, na localidade do Morro da Figueira, em Rolante, foi desvendado e as informações reveladas em coletiva de imprensa, na manhã desta terça-feira (9). Uma operação realizada pela Polícia Civil elucidou o sumiço do taxista e prendeu quatro indivíduos envolvidos no caso. Segundo a polícia, Bernardes não era o alvo dos criminosos, mesmo assim, acabou sendo levado, torturado e morto. O táxi que dirigia, um GM/Spin, de cor branca, foi encontrado com os bancos parcialmente queimados.

Sérgio Jaime Bernardes, 64 anos, foi raptado na Estrada Morro da Figueira.

A operação deflagrada pela Polícia Civil de Rolante contou com 40 agentes, que cumpriram três mandados de prisão e 11 de busca e apreensão em Rolante, Portão, Feliz, Arroio do Sal e no município de Penha, em Santa Catarina. Dois suspeitos já estavam presos, um foi detido em Portão, outro em Rolante e outros dois ainda são procurados. Uma pessoa também foi presa em flagrante por posse ilegal de arma.

Durante a entrevista coletiva, o delegado de Rolante, Vladimir Medeiros, responsável pelas investigações, afirmou que o taxista rolantense desaparecido não era o alvo dos traficantes. Os bandidos estariam em busca de outra pessoa, que ainda está sendo investigada. Segundo Medeiros, a pessoa que realmente seria o alvo dos bandidos tem envolvimento com o tráfico local e regional. O delegado não quis identificar o indivíduo para não atrapalhar nas investigações. “Podemos afirmar com convicção que seu Sérgio não era o alvo desses criminosos”, relatou o delegado.

Os bandidos teriam se dado conta de que o taxista não seria o alvo correto ainda no trajeto em direção ao município de Portão, logo após o rapto. Mesmo assim, levaram a vítima até uma residência no bairro Estação, para tentar chegar ao verdadeiro alvo. Nessa residência o taxista foi torturado por cerca de meia hora e depois morto pelos bandidos, conforme a polícia.

O corpo foi enterrado em um mato próximo à residência para onde Bernardes havia sido levado, em Portão. Posteriormente, os traficantes retiraram o cadáver do local e o puseram no porta-malas de um automóvel Ford/Focus, de cor cinza. O carro foi levado até o bairro Rio Branco, em Canoas, onde foi carbonizado, próximo à rodovia BR-448. O veículo que foi encontrado queimado, na madrugada do último sábado (6), é semelhante ao identificado por imagens de câmeras de segurança da região, no dia do desaparecimento do taxista, em Rolante.

O delegado Heliomar Franco, diretor da Delegacia Regional das Hortênsias, informou que um dos quatro suspeitos presos confessou envolvimento no crime. O indivíduo foi quem fez a cova e enterrou o corpo do motorista. Ele foi detido em Portão e tinha um mandado de prisão preventiva em seu desfavor. “Com a confissão deste homem, temos 100% de certeza que se trata do taxista, mesmo sem ter confirmação da perícia”, afirma Franco. Além da confissão, uma enxada foi encontrada no interior do veículo, o que, segundo a polícia, liga o corpo desenterrado em Portão ao que estava incinerado em Canoas.

Suspeitos do crime foram presos pela Polícia Civil e apresentados em coletiva de imprensa. Alan Júnior/Jornal Panorama