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Publicado em 12/10/2021 22:55 Off

Do “Meu cinicário” – Devemos combater as diferenças. Abaixo a meritocracia: todos são iguais. Com exceção das “medalhas de ouro nas olimpíadas”, é claro!

TECNICIDADE

Digam-me cá, sinceramente, sem nenhum receio, pois eu não vou espalhar a sua resposta, desde, claro, prometendo, também, não espalhar a minha: vocês, de verdade, conseguem captar tudo o que dizem os manuais descritivos de qualquer coisa? Ou são como eu, uns perdidos na noite (perdão. Faustão!), quando enfrentam as fantásticas explicações sobre montagem e funcionamento de um aparelho comprado recentemente. Admitamos, nessa literatura o ser humano, criador dos manuais, esbanja seus conhecimentos e constrói verdadeiras “pedras de Roseta” à procura de Champolions dispostos a decodificá-las. E vou adiante; não me refiro só a equipamentos domésticos, mas, e muito principalmente, a programas de computador. A Informática, então, é uma armadilha sofisticada. Ela pode tudo (estou falando sem ironia), mas, na hora de pôr em prática esses superpoderes, abre as pernas – ops! –, não devo escrever estas expressões ditas grosseiras; podem dar conotação misógina. Portanto, esqueçam as “pernas abertas”. Fechem-nas e continuemos! Não é o que eu queria dizer. Minha intenção era reclamar da má redação da droga dos textos travestidos de simples e amigáveis manuais de aparelhos vendidos nas lojas físicas (imagine nas da internete) e, vamos lá, ponha a sua criatividade a funcionar.

Para exemplo, ainda há pouco, atendi a uma mensagem do Google, dizendo que minha conta estava desatualizada. Desde então, tento atualizá-la. Deveria ser a coisa mais simples da face da Terra. Mas, esperem aí, são tantas as operações que, certamente, em meio do caminho, tomo a direção errada. Vem-me à memória Stephen Leacock, famoso humorista canadense em livro de 1911: “(…) atirou-se em seu cavalo e partiu loucamente em todas as direções”. Sou eu. Em primeiro lugar, falta uma explicação do significado das instruções apresentadas. E quando alguém contrapõe “é fácil, basta saber como fazer”, eu devolvo na hora: “concordo; mas eu não sei.” Esse é o calcanhar de Aquiles da informática: o estabelecimento de um vocabulário comum.

De alguma forma, parece-me, os manuais de funcionamento de qualquer equipamento e instruções informáticas, demonstram um tanto de presunção de quem os elabora. Talvez, sendo um pouco, novamente, grosseiro, dão a impressão de terem sido escritos por médicos elaborando suas receitas. Quando um médico, diante de um paciente, totalmente à sua mercê – muitas vezes apavorado por sua situação de saúde –, escreve um texto, absolutamente, incompreensível, vemos o quanto a comunicação é coisa para profissionais.

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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