Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Descobri uma coisa terrível: não temos nada em comum.
Nem amigos no Facebook!
Max era um homem da noite. Gostava de festas, cabarés (assim se chamavam antigamente as casas noturnas de frequência duvidosa, nomenclatura não muito bem vista na época), danças. Max gostava de mulheres e as atraía muito facilmente. Coisas de quem tem boa conversa. Era sorridente, simpático, perto dele não havia tristeza.
Nilda, diminutivo carinhoso de Leonilda, era a filha mais nova de Caetano e Maria. Mocinha sonhadora, conheceu Max! O que vocês acham que aconteceu? Bingo! Ela se apaixonou por ele. Ele, provavelmente, também se apaixonou por ela. Não é o que se espera de um malandro e de uma garota sonhadora? Pois a lei da vida, mais uma vez, funcionou. E casaram.
O pai da moça agiu como todo o pai quando vê sua queridinha dando um passo tão temerário: foi contra. Era um homem durão. Para dar uma ideia de suas posturas, na época, era dono de um açougue e com ele trabalhava um dos filhos, sem qualquer vantagem por ser filho do patrão. O pai exigia cumprimento das obrigações. Essas coisas que muitos de nós temos, de dar um jeitinho – deixa pra lá! – não funcionavam com ele. Só não se podia chamá-lo de injusto. Maria, a mãe, também não gostou muito do casamento, mas sabe como são as mães, acreditam no amor e que, com o tempo, tudo passa.
Não passou. Pelo contrário, ficou cada vez mais complicado. Max, definitivamente, era da pá virada. Vieram dois filhos, mas a vida louca continuava. A esposa em casa e as outras em suas casas. O sogro furibundo, aguentando o sofrimento da filha. O genro, simpático e amistoso, gozando a vida.
Quando o pai da noiva morreu, teoricamente, o marido estava livre das caras amarradas, da má vontade dos parentes, que não entendiam seus pequenos defeitos. Afinal, ninguém deveria ser odiado por viver na alegria, não é? Claro, o genro não ficou feliz com a morte do sogro, porém sentiu alívio, pois aquela figura correta representava uma pedra no seu sapato (e isso o incomodava muito, o homem era correto).
Passaram-se os anos, o casal continuou junto e, aos poucos, com a idade avançando, aplacou-se o fogo do marido. Então ele também morreu. Nesse momento, a própria vida deu jeito de usar sua peculiar ironia. O genro foi sepultado no mesmo túmulo do sogro. Poderiam odiar-se, metaforicamente, pela eternidade.
Parece-lhes sinopse de dramalhão mexicano para a televisão? Pois não é. É história real. Caetano foi meu avô e Max, meu tio político, por ser casado com tia Nilda. Estão no Cemitério São João, em Porto Alegre. E, para coroar a coincidência, ambos foram meus padrinhos e deles gostei muito. Caetano, de batismo; Max, de crisma. A vida real sabe criar boas histórias.



