Levei um susto ao ver aquela árvore no gramado toda enfeitada e cheia de luzinhas piscantes me alertando, quase gritando, que já é Natal. Sei que dezembro está logo ali, mas tenho observado que o clima natalino se anuncia cada vez mais cedo, meses antes, em anúncios, em espetáculos nas cidades da região, em apelos de consumo por todos os lados para que ninguém se esqueça de comprar.
Sim, porque as manchetes dos jornais não mentem. O Natal e outras datas festivas ao longo do ano se transformaram em mais um evento para você estourar o cartão de crédito e se endividar para os próximos doze meses, no mínimo. Tá certo que tem o Menino Jesus, o Presépio e o Papai Noel na maioria das campanhas publicitárias, mas quem está interessado realmente nisso? Por trás dessa data cristã, quer você acredite ou não em Menino Jesus ou no Papai Noel, está o verdadeiro sentido do Natal: consumir.
Mesmo não sendo praticante fervorosa de nenhuma religião, acho que as coisas estão do avesso. O Natal se transformou em comida, bebida e presentes. Se até Papai Noel virou coadjuvante, imaginem o personagem central que originou a data, totalmente esquecido na manjedoura.
Os reis magos, agora, estão por toda parte levando presentes e fazendo caridade. Aliás, já repararam que a maioria das pessoas só é solidária nesse período do ano? Nos demais 364 dias ignoram as mazelas de seus semelhantes e só olham para o próprio umbigo. Há exceções, claro, e o mundo precisa delas para ser mais justo.
A estrela de Belém guia a quem nos shoppings lotados, abarrotados de gente procurando novidades ou comprando os mesmos mimos presenteados no ano passado para o sogro, a esposa e demais parentes? Aposto que eles nem lembram mais o quanto detestaram aquelas lembrancinhas do amigo secreto em família que não servem para nada.
Sinceramente, isso não pode ser o tão falado espírito natalino que baixa em todas as criaturas, por mais hediondas que sejam, nessa época do ano. Aliás, ando a procura dele também, há anos, para ver se ressuscito a vontade de, ao menos, comer o peru e o panetone. No mais, a data, para mim, é muito mais introspecção e reflexão, sem falar no cansaço e no pavor que me abate e me impede de entrar nas lojas para comprar o que quer que seja.
No quesito “presentinhos” e “jantinhas de amigo secreto”, ficarei em dívida com parentes e amigos até passar a correria de dezembro, embora todos estejam em meu coração e nos meus desejos de que o ano novo seja de saúde e prosperidade. Depois, quando a calmaria retorna, lá pela metade de janeiro, faço uma visitinha para deixar uma lembrança ou um abraço e, aí sim, os meus votos de um Feliz Natal. Até 2013, pessoal.
Roseli Santos
– Jornalista –
Esta postagem foi publicada em 16 de novembro de 2012 e está arquivada em Caixa Postal 59.


