Colunas
Esta postagem foi publicada em 19 de março de 2010 e está arquivada em Colunas.

O dia em que Taquara viu nascer um hino ao Rio Grande

Existem dias em que a história ocorre na frente dos nossos olhos sem que saibamos que aquele momento ficará para sempre gravado na memória de todos. Foi assim no 23 de setembro de 1978, quando um cantor ainda relativamente desconhecido subiu ao palco do salão do Clube Comercial de Taquara e cantou pela primeira vez aquela que, poucos anos depois, seria transformada na música símbolo do Rio Grande do Sul.
Eu estava com quase 11 anos de idade quando, levado por meus pais, fui uma das centenas de pessoas que lotaram o lugar para assistir às apresentações da 3ª Ciranda Musical Teuto-Riograndense. Minha história com a Ciranda vem desde a sua primeira edição, ainda em 1972. Sinceramente, nada lembro dessa primeira, pois tinha apenas quatro anos de idade. Só sei que estive lá por ouvir minha mãe contar como era o festival, mas lembro algumas coisas da segunda edição, de 1976, cujo disco em vinil, cheio de falhas, eu adorava ouvir ainda criança. Isso, claro, antes de descobrir que haviam outros sons mais interessantes nos discos dos meus irmãos mais velhos.
Assim, a terceira Ciranda foi a que ficou mais gravada em minha memória, principalmente pela catarse coletiva que a vitória de “Céu, Sol, Sul, Terra e Cor” proporcionou com sua vitória. Poucos dias antes, ao ler no Panorama os nomes das músicas que competiriam no festival, achei estranho aquele nome, tão diferente do que estava acostumado. Mas, desde a primeira vez que foi cantada por Leonardo, ficou claro para o público que surgia ali uma candidata fortíssima ao título. Quando voltou ao palco na noite da grande final, o cantor, falecido há duas semanas, já tinha conquistado a torcida da maioria do público, que ainda acompanhava a interpretação através da letra publicada pelo Panorama.
Aliás, essa participação do jornal nas Cirandas, publicando as letras em encartes que eram distribuídos ao público, era uma das coisas mais legais do festival. Facilitava muito para quem quisesse acompanhar com atenção a interpretação.
Voltando à história, quando Delmar Backes anunciou que “Céu, Sol…” era a grande campeã, o Clube veio abaixo. Como era tradição, Leonardo voltou ao palco para reapresentar a música, mas, desta vez, foi acompanhado de um verdadeiro  e grande coral. Praticamente todos ficaram de pé e acompanharam com palmas e cantando o refrão que, poucos anos depois, se tornaria um dos mais conhecidos do Sul do País.
Taquara havia acabado de presenciar o nascimento de um hino, mas todos nós levaríamos alguns anos para nos darmos conta de que, mais uma vez, havíamos sido testemunhas oculares da história.

João A. Müller

Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: [email protected]

Leave a Reply