Colunas
Esta postagem foi publicada em 19 de novembro de 2010 e está arquivada em Colunas.

Como a canoagem mudou a “cara” do rio Paranhana

“Transformaram um limão numa limonada” era a frase que meu pai usava algumas vezes para definir o efeito que a canoagem slalom provocou no rio Paranhana. Eu ainda era adolescente e nem sonhava em ser jornalista, por isso não guardei todos os detalhes na memória, mas posso contar algo do que vi quando um grupo de jovens usou as primeiras canoas de fibra de vidro para domar as águas rápidas do rio que batiza a região.
Filhos de um comerciante que adorava rio e mar, eu e meus irmãos mais velhos não perdíamos oportunidade de navegar no rio do Sinos na virada dos anos 70 para os 80, mas o Paranhana era um tabu. Não havia como usar ali o barco de madeira que herdamos de meu avô. Foi em meados dos anos 80 que a coisa mudou, quando alguém descobriu as primeiras canoas de fibra. Meu irmão mais velho, Geraldo, foi um dos primeiros taquarenses a comprar uma delas, mas o objetivo dele era andar no mar durante o verão. Como na época era difícil irmos para o Litoral no inverno, Geraldo e a turma dele iam para a Prainha nos finais de semana de sol.
Da mesma forma que as canoas chegaram a Taquara, certamente, logo havia igrejinhenses e três-coroenses que também adquiriram as suas. E, provavelmente, foi assim que alguns pioneiros começaram a tentar andar com elas no Paranhana, certamente assustando os mais velhos, que consideravam um risco entrar naqulas águas violentas e cheias de pedras.
Quando surgiu a notícia de que Três Coroas realizaria uma prova de caiaques no rio Paranhana, meu pai não pensou duas vezes, e lá fomos, eu e ele, numa tarde de domingo presenciar pessoalmente a novidade. A data certa também não ficou na memória, mas ainda lembro da imagem daquelas primeiras canoas, mais curtas e arredondadas que as atuais, percorrendo o trecho entre as duas pontes centrais de Três Coroas. Mal sabia eu que, poucos anos depois, fazer a cobertura de campeonatos de canoagem seria uma rotina na minha vida profissional.
Todas as vezes que volto ao Parque das Laranjeiras não posso deixar de lembrar a frase de meu pai, que define tão bem o que a canoagem fez na história de Três Coroas. O rio que antes não servia para nada agora é um símbolo da cidade, que, a partir da canoagem, descobriu sua vocação para os esportes radicais e o turismo.
João Müller

Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: [email protected]

Leave a Reply