Quando ele ainda estava vivo, mas já alquebrado pela doença que o acometeu por longo tempo, eu costumava compartilhar em círculos mais próximos uma sensação que – agora tenho a mais absoluta certeza – se confirmará com o passar dos anos. Dizia que no futuro, talvez conversando com meus netos, sentiria orgulho de dizer que tive a honra de conhecer e de conviver com um dos maiores vultos da história de Taquara e da região.
Sim, porque as pesquisas e os livros – tanto faz se eles ainda forem impressos ou existirem apenas em arquivos digitalizados – haverão de destacar a figura de Eldo Ivo Klain por tudo que ele fez para a preservação, cultivo e valorização das nossas tradições, costumes e artes em geral. Basta lembrar, por exemplo, dos hinos municipais que compôs para a maioria das cidades da região, das trovas que fez, das poesias que criou, muitas delas premiadas, e das canções que escreveu. Dizer também que idealizou e integrou alguns dos eventos culturais mais expressivos que já tivemos por aqui, como a Ciranda Musical Teuto-Riograndense, a Seleta de Poesias e Canções e o Festo Cultural de Ação de Graças, para ficar só em três. Além de tudo isso, foi “pai” de importantes entidades do meio, como a Fratri, a Academia Lítero-Cultural Taquarense e a Confraria do Hunsrück, sem falar em sua marcante passagem pela patronagem do CTG O Fogão Gaúcho.
Meu contato com ele se deu por conta da atividade jornalística, para a qual sempre foi uma fonte preciosa de notícia e opinião. Por alguma razão, Eldo viu algum talento em mim para as artes, ou disposição para a atividade comunitária, e aos poucos começou a me “puxar” para junto de si nas iniciativas que não parava de produzir.
Foi assim que, em maio de 1997, tornei-me um dos mais jovens membros efetivos a tomar posse na Academia Lítero-Cultural e, ao lado dele, participei de uma série de eventos promovidos desde então, trabalhando sob seu comando e inspiração. Quis o destino que fosse eu o presidente da entidade justamente no momento em que ele nos deixa, abrindo uma lacuna que não conseguiremos preencher jamais, pois certas pessoas, ao contrário do que diz um dito consagrado, são mesmo insubstituíveis naquilo que fazem.
Eldo saiu como que de “fininho”, no início de um grande feriadão de Páscoa, e pegou a muitos de nós, mais próximos, desprevenidos e sem ter como nos despedirmos dele da forma que queríamos. Alguns por estarem em cidades afastadas do Rio Grande, como eu, em visita a parentes, outros em viagem para fora do Estado e até mesmo quem estivesse no exterior. Impossibilitados, enfim, ficamos de prestar-lhe a última homenagem, mas haveremos de fazê-lo oportunamente – e, de algum lugar muito especial, ele, com toda certeza, estará assistindo de “camarote”, e vibrando do seu jeito particular.
Agora que ele se foi, analisando os acontecimentos, chego à conclusão de que nós todos deveríamos ter sabido antes que Eldo não nos deixaria num dia qualquer. Partiu numa Quinta-Feira Santa, que coincidiu com um 21 de abril, data em que o Brasil lembra a morte de dois importantes vultos históricos nacionais: Tiradentes e Tancredo Neves. Para nós, a partir de agora, sempre servirá para reverenciar também a memória de alguém que nos concedeu o privilégio de ver a história sendo escrita na frente dos nossos olhos – e, em determinadas situações, a escrevê-la junto com ele.
Alvaro Aloisio Bourscheidt
– Presidente da Academia Lítero-Cultural Taquarense –
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