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Existem poucas unanimidades nacionais como a que trata sobre a importância da educação para o futuro do Brasil. O problema, no entanto, é que o discurso acaba na medida do interesse de cada um. O orçamento da Secretaria Estadual de Educação para 2018 é de R$ 9 bilhões (isso mesmo), cerca de R$ 2 bilhões a mais do que o orçamento da prefeitura da Capital. No entanto, em torno de R$ 8 bilhões vão diretamente para pagar o salário de 66 mil professores ativos e 96 mil inativos, além de 19 mil funcionários ativos e 8 mil inativos. Existe alguém que defenda publicamente a mudança de legislação, inclusive para melhorar as condições salariais dos professores a partir da readequação do quadro funcional?

Alguém lembra de algum movimento de apoio à iniciativa de readequação da rede escolar pública do Rio Grande do Sul, em andamento no Estado, devido à diminuição da demanda de alunos e que objetiva melhorar a alocação de recursos financeiros e humanos e a eficiência do investimento na Educação? A resposta é não. E a razão é notória, a mesma que atrapalha a recuperação do equilíbrio fiscal do Estado, mas foi decisiva para que o Rio Grande do Sul chegasse na situação em que se encontra, ou seja, um discurso voltado apenas para os interesses corporativos menores, sem o alcance necessário para mudanças realmente fundamentais, estruturais, como a de que precisamos para a educação.

Acredito que apenas um choque de gestão profundo permitirá uma reestruturação completa e corajosa do sistema. Da nossa parte, o que nos anima e conforta é o apoio dado pelo governador do Estado para iniciarmos essas mudanças. Entre as várias iniciativas que estão sendo encaminhadas, por sua relevância, destaco a construção do novo referencial curricular para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental do Rio Grande do Sul.

Com previsão de ser consolidado ainda em 2018 e implementado em 2019, este referencial permitirá a inclusão de temas diversificados, enriquecendo a construção e fortalecendo as políticas educacionais, a partir da base e do coração do sistema, que é o pedagógico. Alunos, pais, professores e representantes do ensino público e privado serão convidados a participar deste momento importante para a educação gaúcha. Vamos mexer fundo, na base, e com participação de todos, pela educação. Apenas um choque de gestão permitirá uma reestruturação completa.

Ronald Krummenauer
Taquarense, atual secretário estadual da Educação

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