Toma-lá-dá-cá, não é um joguinho qualquer (é, na verdade, um grande jogo). Na realidade, é uma jogada política que relembra o coronelismo de compadres – típico do nordeste brasileiro. Acontece que esse “joguinho”, como falei, é um ranço político enraizado no nosso meio já há décadas, senão, séculos. Enquanto persistir esse “esquema” em nosso país, não podemos vislumbrar uma política honesta no Brasil. Ocorre que: todo e qualquer político eleito em eleição majoritária (presidencial, estadual[governador] ou local, prefeito), a primeira atitude sua. é nomear os segundos escalões (ministros, secretários, etc., etc.).
O problema é que, para preencher esses cargos, o comandante se apega ao lado político, nomeando deputados sem mandatos ou, cabos eleitorais que, quase sempre, não têm qualificações técnicas para o cargo, quando, na verdade, deveriam assumir pessoas de nível superior, por exemplo, ministro da educação, um pedagogo/professor; ministro da saúde, um médico/cientista com alto conhecimento no assunto; no ministério da justiça, um advogado/jurista, … e, assim vai.
Esse tipo de escolha vale, também para as esferas estadual e municipal. Caso continue essa política de benesses, nosso país vai continuar essa esculhambação, principalmente no Ministério da Educação (MEC), e, também, o Ministério da Saúde. No MEC, ninguém , nem o incompetente ministro, consegue administrar coisas triviais, como o ENEM, o Sisu, o Enade e o Prouni. No Ministério da Saúde, a incompetência não consegue organizar sequer uma fila de atendimento do SUS. Na previdência, o cidadão, que paga religiosamente, a sua contribuição, tem que esperar anos e anos, para conseguir a sua aposentadoria.
Me parece, que os únicos ministérios competentes, são os da Economia (Paulo Guedes), da Justiça (Sergio Moro), o resto, é um Deus nos acuda! Temos ainda, os Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), cujos mesmos, se preocupam apenas com disputas particulares de beleza e em decisões monocráticas, também são indicados politicamente e, se formos fazer uma enquete popular sobre suas atuações, notamos que também ficam devendo. Temos, também, os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) e, os ministros da Controladoria Geral da União (CGU), além da Procuradoria Geral da União (PGU), todos nomeados por presidentes, portanto, politicamente. Já, na esfera estadual, o “esquema”, não é diferente: quantos secretários estaduais são nomeados por serem cabos eleitorais, por serem ex-deputados, amigos de deputados, amigos de amigos do deputado?
Nessa altura, já estou falando, também do segundo escalão – o que vale também na esfera federal – . O Tribunal de Contas do Estado (TCE), cujos conselheiros são todos nomeados pelo governador, é um verdadeiro escândalo corporativo (com os famosos “trenzinhos da alegria” a toda hora). Outro dia, esse colegiado brindou aos seus conselheiros (todos ex-deputados), prêmios por férias não gozadas no tempo em que estavam na Assembleia. Teve um, que recebeu uma bolada de quase setecentos mil Reais, claro que não foi o único de grande quantia, soube-se depois que a “brincadeira” atingiu por volta de R$ 30 milhões. Uma barbaridade, né? Se, por acaso, um dia acabarem com esse tal de toma-lá-dá-cá, sou capaz de ir à Brasília só com a Frida (nome da minha bengala) – é brincadeirinha, gente -, só para dar um forte abraço no deputado ou senador da República. que entrou com o Projeto de Lei, acabando com essa palhaçada nacional, verdadeiro hospedeiro de sanguessugas.
Por Rui Fischer
Aposentado, de Taquara
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