Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 3 de dezembro de 2010 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Toso, um exemplo a ser seguido

Alguns anos atrás, ao fazer um trabalho para a Apae, conheci e fiz amizade com diversos jovens que lá estudam. Entre eles, um em especial, sensibilizou-me profundamente. Seu nome: Nestor, ou simplesmente, Toso, uma pessoa alegre, gentil e muito educada. Baseado nesta amizade gostaria de compartilhar este relato.
Acontece que, tal como Toso, mas com destino diverso, também gosto de caminhar aos domingos pela manhã. Toso, como de costume, vai à igreja rezar e assistir à missa. Eu, apesar de saber que deveria fazer o mesmo, apenas caminho pela cidade.
Invariavelmente também, como sempre ocorre nestes dias, acabo ficando indignado com a sujeira que sobra pelas ruas, resultado da falta de respeito e educação de alguns freqüentadores das festas noturnas dos sábados. E num recente domingo de novembro não foi diferente, ou melhor, foi. Pareceu-me muito pior que das outras vezes. Toda a frente do Clube Comercial, onde ocorreu uma dessas festas, amanheceu tomada de lixo, formando um cenário deprimente. Uma visão difícil de esquecer para quem vive aqui e muito pior para quem vem de fora, como se já não bastasse o mau estado de nossas calçadas e praças.
Mas a porquice não se limitava apenas àquele local: havia lixo por toda parte. Garrafas de cerveja quebradas, restos de alimentos, latas de bebida e demais detritos que deveriam estar em lixeiras, jaziam espalhados pela rua.
Os elementos que assim procedem, além de emporcalhar o ambiente de nossa coletividade, acabam entupindo as bocas-de-lobo e, consequentemente, dando uma “mãozinha” para a ocorrência de mais alagamentos.
Fiquei a pensar o que passa na mente desse tipo de gente. Independentemente de situação social, todos, sem exceção, somos responsáveis pela conservação e funcionamento de nossa cidade. Duvido muito que alguém normal goste de viver num ambiente emporcalhado. Infelizmente, porém, parece que esse tipo de gente existe e pior, continua à solta, espalhando a sujeira que, certamente, é um reflexo do que passa em seus interiores.
Mas, apesar daquela imundície, com muita tristeza, continuei minha caminhada. Fiquei a pensar se devemos nos acostumar com isso ou cultivar a indignação, alimentando esse estresse interior por nada poder fazer. A resposta veio logo adiante e confesso, comoveu-me.
Na calçada oposta, em passos lentos, um jovem solitário abaixava-se para retirar garrafas de bebida do meio do passeio, colocando-as em lixeiras. Fiquei a cuidar e, durante todo o trajeto, constatei que ele parava seguidamente, recolhia o lixo mais graúdo e depositava na primeira lixeira que encontrava.
Sua atitude de respeito com a comunidade fez-me repensar meus conceitos. Voltei a ter esperanças nas pessoas e ao reconhecer quem era senti um orgulho muito grande em ver que se tratava de meu querido amigo Toso que, como de costume, dirigia-se à igreja para assistir sua missa dominical.
“Toso, parabéns pela tua cidadania. Tua atitude de respeito e educação é um exemplo a ser seguido por todos nós. Parabéns também, aos teus familiares e parabéns à Apae, que consegue transmitir esse tipo de educação aos seus alunos.”
Dedico este texto a ti, querido Toso, um cidadão taquarense que tem muito a nos ensinar.
Dagoberto Velho

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