
Do “Meu cinicário” – O Brasil que eu quero terá paz, amor, saúde, riqueza e felicidade. Seu novo nome será “Jardim do Éden”!
TRAGÉDIA ALADA
No dia 12 de outubro, feriado nacional, nesta terra de perene feriado, acordei com um estampido, em torno de 6h30min. Após o barulho, minha esposa que já preparara o café, trouxe a notícia: “estamos sem luz”. Claro, sempre após esses estrondos, a energia é a primeira a desaparecer, como se estivesse amedrontada. Há um mês, foi um raio caído na madrugada atingindo, aparentemente, meu condomínio durante uma tempestade. Outro estrondo! Naquela ocasião, a energia, bravamente, resistiu. Entretanto, ficou um rasto de destruição, com aparelhos elétricos queimados. No caso presente, imaginei ter havido algum problema com um transformador da redondeza do prédio. É uma ocorrência comum.
Sem energia! Como pôde a Humanidade suportar a falta de eletricidade durante tantos milênios? Quando penso num retorno aos tempos antigos apregoados por tanta gente, costumo perguntar: “com ou sem energia elétrica?”. Nunca obtenho resposta. Mas deixando de lado a filosofia histórica, resolvi avisar a companhia distribuidora de energia. Então ouvi alguém no corredor do prédio, dizendo já ter feito contato. O remédio era esperar. Depois de três horas, decidi fazer a minha comunicação.
Peguei o número do WhatsApp indicado para atendimentos e liguei. A resposta me deixou preocupado: “Olá, eu sou o assistente virtual da CPFL e RGE. Ainda estou aprendendo mas já posso te ajudar com diversos assuntos. Para te oferecer uma melhor experiência de atendimento, por favor, informe o seu CPF ou CNPJ”. Pensei: deveria aprender a adequar os pronomes do discurso ao verbo, já que a gravação é serviço de Relações Públicas, mas como o assistente está em aprendizagem, quem sabe com o tempo? Informei o CPF e aí, sim, levei um susto. “Não consegui te identificar, por favor, digite seu CPF ou CNPJ novamente?”, mantendo o erro verbo-pronominal. Essa observação de erro, admito, é rabugice, porém, não identificar meu CPF preocupou-me. Desde minha chegada a Taquara, há 25 anos, sou cliente da empresa. Esse assistente, realmente, precisa aprender. Nesse entrementes, veio a equipe chamada anteriormente para fazer o conserto. O problema ocorrera num fusível no poste quase encostado no edifício. Foram atenciosos, mas precisaram retornar uma hora depois e trocar um segundo fusível. Haviam esquecido.
Desci, então, levando o lixo para colocar na lixeira em frente ao poste sob a marquise do prédio. Na base do poste, na sarjeta, a causa aparente do estampido: duas pombas-rola chamuscadas, provavelmente eletrocutadas. Teria sido uma briga ou um caso de amor?
Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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