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Publicado em 07/10/2021 11:20 | Atualizado em 07/10/2021 11:21 Off

Do “Meu cinicárioDo “Meu cinicário” – A vida é uma dolorosa viagem para lugar nenhum. Aproveitem o máximo que puderem, pois não há volta!

TRANSFORMAÇÕES

Desde pequenos, ouvimos histórias fantásticas sobre reinos distantes com reis, rainhas e príncipes encantados. Mesmo hoje, nestes tempos informáticos, os dragões e os sapos continuam tendo lugar na mente das crianças, acompanhados de unicórnios. Essas aventuras fazem parte do inconsciente coletivo, no desejo de coisas boas para nossa vida. Arrisco a dizer: grande parte de nós, de alguma forma, já sonhou com esses personagens. Mesmo, nós, os varões, não estamos isentos de acreditar nesses mundos. Eu cheguei à materialização desses sonhos aos 30 anos, em 1974.

Minha vida sentimental ia de mal a pior. O que nunca tive de timidez em outros campos de interação social, na parte amorosa era diferente: sempre fiquei bem longe dos holofotes, embora tentando desfrutar de suas delícias. Mas nem tudo sai como se quer. Naquele 74, após seis anos de um relacionamento de altos e baixos, livrei-me dos grilhões que me subjugavam. Para ser justo, foi uma libertação mútua. E fiquei, novamente, sozinho.

Então, um milagre aconteceu! Passei a viver a minha história fantástica num reino não distante. Era na minha cidade, Porto Alegre, e bem perto da casa da minha infância e adolescência. Pensei ter encontrado uma princesa. Era de Cachoeira do Sul. Melhor – e quando conto, todos me olham sorrindo, achando que me vanglorio –, aquela suposta princesa foi quem me achou. Logo a mim, um tímido! E para mais impacto numa linda história de fadas, eu havia conquistado, não a princesa: havia ido direto à fada. Era a Cármen! Ela pegou este sapo feioso e o transformou em seu príncipe namorado. Comecei a rir de alegria. Eu, antes desencantado com romances, passei a fazer parte de uma história mágica.

Casamento nunca estivera nas minhas intenções, mas, em 1978, a fada me transformou em marido. Eu ri muito. Elas, quando querem mudar alguém, ninguém as segura. E minha fada sempre foi muito decidida. Após isto, paternidade, que jamais passara por minha cabeça, foi outra transformação operada em mim por ela. Ri de mais alegria. E há seis anos, fui transformado em avô. Mais risos nesta linda caminhada iniciada em 14 de dezembro de 1974. Mas, as transformações ainda teriam curso. Na manhã da última segunda-feira, 4 de outubro de 2021, seguindo os ditames da fragilidade humana, minha maravilhosa fada fez sua última transformação em mim. Transformou-me em viúvo. Desde então, choro sem parar.

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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