Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Empresa demitindo funcionário é violência e crueldade. Mas funcionário que se demite
é “democrático exercício de soberania”. Duas medidas.
Durante o Mestrado em Ciências da Comunicação, num trabalho, escrevi que o estudo da Comunicação era o estudo da fofoca. Minha intenção não era detonar o curso em que estava matriculado nem levantar qualquer bandeira revolucionária. Foi um palpite infeliz, pois a nota recebida refletiu o mal-estar causado. Entretanto, continuo com a mesma convicção e vou tentar explicá-la. Não terá efeito sobre a nota de então, mas aproveitarei a própria Comunicação, para explicar o porquê daquela definição.
Sigam meu raciocínio! A palavra “fofoca” é a redução designativa de um ato comum na convivência social. Sempre, emitimos opiniões e comentários sobre tudo. É da natureza humana. E nesse opinar e comentar, concordamos ou discordamos com opiniões e comentários de outras pessoas. Sabemos, nosso pensamento é a visão correta e justa. Pensamentos alheios são incompreensíveis. Como podem, os outros, ver a realidade por ângulos tão distorcidos? A existência da palavra sobre a qual estamos falando tem, exatamente, conotação de coisa feia e ofensiva e classificamos com ela as conclusões diferentes das nossas. Mas enquanto permanecerem como conclusões individuais, serão, apenas, reflexões; podem determinar ações, mas não são fofocas. As reflexões só se tornam fofocas ao passar pelo processo de comunicação, ou seja, quando houver emissores e receptores. E aí está sua grande atração: como é bom contar aos outros!
Simplificando, esse foi o teor da minha declaração. Eu comuniquei a alguém o que refletira sobre o fulcro do nosso estudo – infelizmente, a um Doutor em Comunicação, no caso, meu professor. Naquele momento, pegou mal para mim e para ele no decorrer dos anos, pois não imaginávamos que, cerca de uma década e meia depois, os processos tecnológicos da comunicação ficariam tão corriqueiros em nível pessoal. Minhas palavras, de certa maneira, soaram proféticas. A fofoca adquiriu contornos exponenciais! Se antes era mais difícil espalhá-la devido a impedimentos técnicos e econômicos – pensem nos custos de produzir uma revista ou um jornal ou manter no ar uma emissora de televisão – hoje, se transformou num brinquedo de crianças. Com um telefone celular, todos são potenciais geradores de boatos ou seus multiplicadores via compartilhamentos.
Para não ajudar a espalhar os famosos fakes, sigo um código de comportamento: mesmo concordando com a linha geral de determinada postagem, só compartilho se identificar sua origem e licitude. Raras vezes isto acontece! É minha contribuição particular na luta contra a fofoca!


