Turing: criou o computador, decifrou os nazistas, mas morreu humilhado
Nesta semana, juntamente com outros professores e um aluno da Faccat, fomos visitar a exposição comemorativa do centenário de nascimento do britânico Alan Turing, no Museu da UFRGS. A maioria das pessoas nunca escutou falar de Turing, mas ele é – literalmente – um herói do nosso tempo. Não é a toa que um grande conjunto de atividades está acontecendo em todo o mundo para celebrar o “Alan Turing Year” (Ano de Alan Turing).
Formado em Matemática na Universidade de Cambridge, Turing realizou feitos notáveis ao longo da sua vida. No ramo da ciência, é considerado um dos pais da computação, através de estudos que pela primeira vez descreveram os conceitos sobre o que seria um algoritmo (que é o fundamento básico da estrutura de um software) e a definição sobre a estrutura de um computador (a “Máquina de Turing”). Isso tudo ele explicou de forma teórica, muito antes que os primeiros equipamentos desse tipo existissem. Foi a partir dessas definições – até hoje plenamente válidas – que os computadores puderam então ser criados. Não bastasse, em certo momento enveredou suas pesquisas para o ramo da química, obtendo também resultados importantes, comprovando sua genialidade.
Mas Turing não foi apenas teórico. Trabalhou duro durante a 2ª. Guerra Mundial, criando um equipamento capaz de decifrar as mensagens que a máquina nazista Enigma criptografava (“embaralhava”) com alto grau de confiabilidade (no Museu da UFRGS há um modelo original da Enigma, e funcionando!). Turing estudou essa criptografia e criou a Bombe, um complexo equipamento eletromecânico que conseguia decifrar as mensagens. Esse trabalho acontecia em Bletchley Park (Inglaterra), onde uma equipe de 10 mil pessoas (80% eram mulheres) trabalhava diariamente a fim de receber e decifrar as mensagens nazistas. Batalhas importantes foram vencidas pelos Aliados graças às informações provenientes da equipe de Turing, que permitiam preparar defesas ou ataques antecipados. Analistas afirmam que esse trabalho conseguiu encurtar a 2ª. Guerra Mundial em dois anos e, assim, poupou dois milhões de vidas.
Turing era brilhante, e homossexual declarado, numa época em que isso era ilegal na Inglaterra. Foi processado, humilhado e, para não ser preso, teve que se submeter a um “tratamento” com injeções de hormônio feminino, o que lhe provocava reações e constrangimentos na aparência. Com 42 anos, morreu por ingestão de cianureto. Há dúvidas sobre se foi suicídio, acidente ou assassinato. Em 2009, o governo do Reino Unido pediu desculpas formais pelo tratamento preconceituoso e desumano dado a Turing. Infelizmente muito tarde, como em vários outros casos semelhantes ao longo da nossa história. Quanto mais Turing não haveria de ter produzido e colaborado com a humanidade caso não tivesse sido vergonhosamente humilhado?


