Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 4 de março de 2011 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Um cantinho para a nostalgia

Carnaval. Tempo de festa, de folia. E, entre tudo isso, sobra aquele espaço pra lembrança, pra nostalgia. A de quem viveu os áureos tempos carnavalescos e a de quem gostaria de ter vivido, e eu confesso que me encaixo no segundo grupo.
Sinto uma inveja, branca, mas sinto, de tios, pais, avós, padrinhos que tiveram a oportunidade de viver aquele tempo. Quando, mais do que uma bebedeira coletiva justificada pelo calendário, o Carnaval era sinônimo de reis, rainhas, blocos, marchinhas, de dançar e se divertir de verdade. Aquele que tinha início no exato momento em que entrava o ano novo. Na escolha da fantasia, na reserva de lugares, nas combinações com o grupo de amigos, na escolha de qual sociedade se iria. Que era uma preparação, quase um estado de espírito.
Dia desses, conversando com as minhas “avós emprestadas”, elas se puseram a me contar como era na sua época. A disputa pelas sociedades, as fantasias que inventavam, as vestidos que faziam, os sapatos que escondiam à beira da estrada para colocar os de salto e somente na volta tornavam a usá-los. Me falavam com um brilho no olhar da ânsia e da espera pelos bailes carnavalescos, emoções essas que há muito se perderam.
Não digo que o Carnaval não seja mais alegre, mas deixou de ser a festa que era, não traz mais aos olhos da gente o brilho que já trouxe a pessoas que, como as minhas avós, tiveram o prazer de vivê-lo intensamente. A quem viveu, digo que aproveitem as lembranças, que certamente são felizes. E a quem, assim como eu, gostaria de viver, peço “do alto” dos meus 15 anos, que mexam-se, pois cabe a nós da nova geração, mudar, inovar ou resgatar não só o Carnaval, mas tudo aquilo que queremos. Cabe a nós fazer acontecer.
Eduarda Neves
Estudante

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