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Publicado em 03/09/2021 16:36 Off

Um PCD te atrapalha?

Precisamos falar de educação especial. Sim, até isso se separa neste país. Pode ser apenas uma terminologia, uma forma carinhosa de se referir a quem precisa de atenção específica, porém, possui um efeito segregador muito grande.


O decreto, assinado em 2020 pelo governo federal, estimula a criação e a matrícula de pessoas com necessidades específicas (neste espaço você não irá ler a palavra deficiente). O STF suspendeu o decreto no final do ano passado, entretanto, a discussão segue em pauta.

Não sou politicamente de nenhum partido, movimento ou fã de quem quer que seja. O que posso dizer ser, é humano. Alguém que sente e procura se colocar no lugar do outro. E todas as pessoas possuem sentimentos e apesar das dificuldades individuais, necessidades que se assemelham, no que diz respeito à educação, atenção e dedicação. Existem variáveis, questões físicas, motoras e até mentais, em que a didática e a cobrança deve ser proporcional ao que o indivíduo suporta. Quando o governo pensa em investir em escolas de inclusão, não penso que seja com má intenção, a ideia é boa, zelar por um entendimento melhor por parte destas pessoas, entretanto, como é muito comum em todas as áreas políticas, não se pensa no todo, nos reflexos para a sociedade, no mal psicológico que faz separar e não incluir, na falta de informação das ditas crianças normais, que ficam sem contato com amiguinhos de necessidades específicas.


Haverá quem vai dizer que colocar em escola especial, não é regra, sim opção, em matéria do G1, uma mãe diz que sua filha foi recusada 7 vezes em uma escola regular, até ser aceita, isso que é lei, imagina se for oficializada a separação.

Eu quando criança, fiz meu pré em uma escola que fazia “1000 exigências” para me receber, sendo que minha limitação era exclusivamente física, imagina as outras. Uma criança que sabia ler, que teve que ficar dois anos no pré e que queriam deixar mais um ano. Imagine, eu teria 8 anos e não estaria na primeira série. Felizmente, meus pais me direcionaram para outra escola e o resto, o tempo mostrou.
Quero dizer com isso, que ser humano não é bicho, não entendam mal, falo no sentido de não poder separar em um cantinho. As escolas regulares não estão preparadas para receber certas necessidades? Adapte elas.

Para cobrar imposto, aumentar preço, brincar com a cara do cidadão, não se perde tempo. Investir em incluir é difícil, perda de tempo.

Afinal, nosso ministro da educação diz que a gente atrapalha os outros. Inclusive deu “dados”, como de que um cego não pode ir na mesma escola em que as pessoas “normais” vão.

Pode falar acéfalo? Ele é.
Inclusive, não sei porque o MEC cobra acessibilidade nas instituições, seu ministro não quer a presença destas pessoas. E isso as pessoas não se revoltam, não vão para as ruas.

É mais legal fazer motociata ou defender volta de bandido.

Por Cassiano Gottlieb, de Taquara
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