A situação com repasses à saúde desperta atenção em todo o Estado. Na terça-feira desta semana, representantes de hospitais filantrópicos reuniram-se com o governador José Ivo Sartori para discutir a atual crise financeira das casas de saúde. Os hospitais do Vale do Paranhana padecem para pagar suas contas e aguardam por repasses atrasados desde 2014.
Bom Jesus tem atrasos em repasses e dificuldades para manter especialidades
TAQUARA – Uma das situações mais sérias na região está em Taquara. O Hospital Bom Jesus (HBJ) amarga uma dívida de R$ 3 milhões, além de arcar com os ônus referentes à diferença entre os valores repassados pelo governo do Estado e os que são cobrados pelos profissionais nas especialidades médicas: “O Hospital está passando por um momento de dificuldade”, avaliou a diretora executiva da casa de saúde, Maria Seloi Maciel da Costa, durante uma reunião na Câmara Municipal de Vereadores, na terça-feira.
A entidade tem contrato de R$ 1,2 milhão mensal com o Estado. De acordo com a diretora executiva, de agosto a dezembro do ano passado R$ 1,353 milhão não foram repassados. “Isto faz uma diferença enorme para quem tem um déficit de R$ 150 mil ao mês”, apontou. Seloi lembrou que muitas pessoas procuram atendimento básico no HBJ, quando deveriam fazer isto nos postos de saúde.
Os serviços de especialidades demandam valores acima do que é repassado pelo governo do estado. Enquanto é destinado R$ 48 por endoscopia, o profissional cobra, no mínimo, R$ 100. Um exame de colonoscopia sai por R$ 200, mas o enviado é de R$112. “Se renunciarmos a 400 endoscopias, renunciaremos ao prejuízo”, analisa o diretor técnico do hospital, Francisco Lammerhirt.
Somente na especialidade de traumatologia foram 882 consultas entre janeiro e fevereiro, com atendimentos a pessoas de toda a região. “Estamos pagando a conta para a vizinhança”, desabafou Seloi. Segundo ela, o prejuízo com especialidades ambulatoriais é de quase R$ 200 mil. A diretoria do hospital busca o reajuste dos valores com o estado. Anteriormente, ela lembra que o Grupo Mãe de Deus – gestor dos recursos do HBJ – bancava o prejuízo, mas que isto não deverá mais acontecer.
A única especialidade médica em que há incentivo garantido é a de cirurgia-geral, repassados R$ 50 mil mensais do governo estadual. Lammerhirt lembra que somente em janeiro e fevereiro foram 212 exames de orelhinha, quando aconteceram 90 partos na entidade neste período. Ou seja, pessoas de outras cidades vêm em busca do atendimento em Taquara. Vereadores presentes na reunião propuseram que os demais municípios do Vale do Paranhana também auxiliem com as dívidas do HBJ.
O Executivo Municipal auxilia com 110 mil para os serviços de emergência. No entanto, há uma dívida antiga com o Hospital, algo em torno dos R$ 5 milhões, como afirmou Seloi. O Diretor de Saúde, Vanderlei Villi Petry, lembrou que o estado deve R$ 1.114.000,00 à sua pasta, e que estes recursos não têm perspectiva de vinda. A próxima reunião ficou agendada para o dia 24, às 13 horas, no plenário da Câmara de Vereadores.
Hospital Oswaldo Diesel aguarda R$ 300 mil desde o ano passado
TRÊS COROAS – A realidade vivida pela Fundação Hospitalar Dr. Oswaldo Diesel é vista como crítica pelo atual diretor-presidente da entidade, Luiz Carasai. “O governo do Estado diz que não pagará as contas do Tarso (Genro), e isto nos deixa em uma situação complicada”, lamenta, ao contar que tentam contornar a situação através de empréstimos bancários. A instituição tem atrasos de mais de R$ 300 mil em repasse do governo federal e estadual.
Atrasos com médicos e laboratórios acabam sendo inevitáveis. Contudo, Carasai garante que tem mantido em dia a folha de pagamento dos funcionários. Pelo governo federal, não foram pagas verbas de incentivo nos meses de setembro, outubro e novembro do ano passado. Em novembro e dezembro, os investimentos estaduais deixaram de entrar no caixa da casa de saúde três-coroense.
Os repasses foram pagos em janeiro e fevereiro, mas não há previsão para reparar os vencimentos atrasados. A reposta, segundo o presidente da Fundação, deverá vir até junho. “Estamos negociando empréstimo consignado junto a Caixa Econômica Federal, e temos uma ação entre amigos que deve nos dar uma margem de R$ 200 mil em lucro, para pôr as contas em dia e trabalhar com menos cobranças.
”Carasai conta que os recursos advindos do governo estadual não cobrem todas as necessidades do hospital. Para isto, a Fundação realiza cerca de dez eventos durante o ano para garantir as melhorias e o pagamento dos profissionais da entidade. “O hospital é deficitário. Um déficit em torno de R$ 25 mil a R$ 30 mil mensais”, aponta.
Hospital de Rolante tem atrasos de novembro e dezembro
ROLANTE – Os recursos que deveriam ter sido liberados em novembro e dezembro do ano passado ainda não chegaram à conta da Fundação Hospitalar de Rolante. De acordo com o diretor executivo da entidade, Flaubiano Lima, não há previsões de quando as verbas chegarão.
Os repasses servem para cobrir gastos com manutenção dos serviços do hospital. A casa de saúde conta com 65% de seu orçamento financeiro através de recursos estaduais. A outra parte é coberta pelo município. Para dar conta da demanda, e quitar as contas, além de investir em melhorias, são realizadas ações, campanhas e arrecadações de equipamentos e materiais.
Falta parte dos recursos de fevereiro para o São Francisco
PAROBÉ – O Hospital São Francisco de Assis também conta com alguns atrasos de repasses do Estado, de 2014 e deste ano. “Temos várias rubricas de financiamentos, alguns incentivos estão atrasados, que não recebemos”, comenta o diretor-adjunto, Síris Bressan.
Durante o ano passado, Bressan conta que os repasses foram pagos normalmente até novembro, e desde então os recursos atrasam para entrar na conta do São Francisco. Os valores de R$ 133 mil mensais são incentivos destinados a hospitais filantrópicos. O pagamento de fevereiro está atrasado. Do contrato de R$ 1.570.000,00, foram pagos R$ 1.390.000,00 à entidade, que desde o ano passado passou a atender 100% SUS. “O novo governo tem se posicionado a redução de recursos na saúde. Os hospitais pressionaram, e o Piratini informou que não iria atrasar”, conta.


