Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: jornalismo@radiotaquara.com.br
Publicado em 20/08/2021 23:33 Off

UMA ILHA CHAMADA HAITI

Assim como os demais países americanos, o Haiti teve sua história alterada de forma brusca e cruel durante o período das chamadas Grandes Navegações – o período em que os europeus começaram a invadir as terras de além-mar e roubar o máximo de matérias primas e riquezas possível. Com o Haiti não foi diferente.

Na busca por metais preciosos, em apenas 25 anos de exploração os povos originários da ilha foram dizimados. Inicialmente os espanhóis foram os algozes, posteriormente os franceses. Focados na produção açucareira, trouxeram para o país meio milhão de negros e negras escravizados. Em 1804, a ilha de Saint-Domingue, rebatizada de Haiti, foi a primeira nação do Caribe a se tornar independente, tornando-se o primeiro país a abolir a escravidão e se transformando na primeira República Negra do Mundo.

Mas, vocês já viram grandes nações aceitarem pacificamente a perda de riquezas? Eu também não. E a Independência do Haiti fez com o que o país sofresse duras represálias. Desde reparar aos proprietários os valores devidos por seus negros e negras escravizados até o boicote do açúcar haitiano por parte dos Estados Unidos por décadas. Posteriormente os Estados Unidos invadiram a nação para defender os interesses de grandes empresas açucareiras, obviamente a “missão” foi nomeada como “de paz e restabelecimento da ordem”.

Uma região conhecida por uma série de desastres naturais, epidemias, subnutrição, pobreza (ocasionados estes três últimos citados pela forma como o país foi “colonizado”), o Haiti sofre ainda com a exploração dos sobreviventes. Um país devastado por catástrofes e por intervenções quase ininterruptas de outros países, o Haiti segue na mira da agenda neoliberal. Desde sua independência, apenas três governantes conseguiram concluir seus mandatos, os demais governos foram marcados por intervenções militares, autoritarismo e ditaduras. Os contínuos e sucessivos governos neoliberais do país, apoiados pelos governos estadunidenses, esvaziaram os cofres públicos da nação e são, assim, responsáveis pela atual situação vivenciada pela população haitiana.

Nessa semana, o Haiti sofreu mais uma catástrofe natural, um terremoto de enormes proporções que deixou como legado a morte de aproximadamente 2.000 pessoas, quase 10 mil feridos nos hospitais e mais de 500 mil crianças, segundo dados da UNICEF, sem acesso a abrigo, alimentos, medicamentos e até mesmo água potável.

Aproveitando a situação, o neoliberalismo avança com mais força sobre o país, sob o lema da paz e da ordem. Já é tempo de repensar os modelos de intervenção que vem sendo oferecidos ao Haiti, sob o risco de aniquilarmos o que ainda resta de humanidade e vida nessa pequena pobre rica ilha.

Por Ana Maria Baldo
Professora, de Taquara
[Leia todas as colunas]

>> Deixe sua opinião:
Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: jornalismo@radiotaquara.com.br