Na contracapa do Jornal Panorama do dia 7 de outubro há um anúncio do Detran, com aval do governo do Estado, destinado a pessoas que tem mais de 60 anos. É um chamamento para que essas pessoas tenham cuidados especiais com o trânsito, como não transitar em horários de maior movimento na cidade, por exemplo.
Interessante notar que hoje indivíduos nessa faixa etária são elementos ativos na sociedade, praticam esportes, freqüentam academias de ginástica, dançam e, principalmente, trabalham para complementar minguadas aposentadorias ou para sua própria subsistência ou até por prazer.
Depois de ler, atentamente, o anúncio fiquei a pensar que grande parte dos condutores não observa regras fundamentais e elementares de trânsito, como sinal de luz para virar à direita ou à esquerda, velocidade máxima permitida, estacionamento adequado e tantas outras normas necessárias ao bom andamento do tráfego nas cidades.
Observei na rua Marechal Floriano, esquina General Frota, uma faixa de pedestres: em ambas as pontas da faixa, no meio das calçadas, havia pessoas esperando para atravessar. Passaram cinco carros e duas motos, sem parar, sem tomar conhecimento da faixa, nem dos pedestres esperando.
A educação dos motoristas e a fiscalização estatal é que deviam ser motivo de preocupação do Detran, porque a maioria dos acidentes de trânsito não ocorre por culpa dos idosos, mas por irresponsabilidade dos que não cumprem as leis.
Há algum tempo na mesma rua eu transitava no sentido bairro-centro, em frente ao banco Sicredi, e precisei diminuir a velocidade em vista de uma senhora, de bengala, estar atravessando a via, quando um caminhão bateu no pára-choque traseiro de meu carro. Fora o prejuízo e as grosserias que ouvi do casal que estava no caminhão, senti a íntima satisfação de não ter atropelado a senhora. Agradeci a Deus, pois se o caminhão viesse na minha frente e não atrás de mim, aquela pedestre seria mais um número na estatística das mortes no trânsito.
Acho, por fim, que o anúncio do Detran não foi feliz, o aconselhamento, o endereço e os destinatários deveriam ser outros ou então os velhos, sutilmente chamados de idosos, não mais poderão sair, deverão ficar em casa assistindo televisão (de preferência o programa do Chaves).
Aldemira da Silva Fonseca
Advogada
Esta postagem foi publicada em 14 de outubro de 2011 e está arquivada em Caixa Postal 59.


