“Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, mas que beleza!.” A máxima cantada por Jorge Ben e Simonal e tantos outros cantos ufanos sobre a nossa terra incutiu-nos a falsa ideia de que neste torrão abençoado as catástrofes passam ao largo, afinal não temos terremotos, não temos (tínhamos) furacões e não temos tsunamis. Porém, temos a ameaça de outros eventos naturais e uma vulnerabilidade que, apesar de terrível, pode ser enfrentada, qual seja o da degradação social, que leva as pessoas a ocuparem terrenos desvalorizados, a construírem suas frágeis habitações e serem as mais atingidas por ocasião dos episódios climáticos.
Vivemos a inexorabilidade dos fenômenos naturais e de outros provocados pela nossa insana e inquieta necessidade consumista, que arranca das entranhas da Terra toda a sua riqueza e contribui para o agravamento das condições de habitabilidade. O preço pago já é alto e afigura-se mais elevado ainda.
Para algumas situações temos solução: a tecnologia, o conhecimento e a “evolução” (evolução?!) do homem as encontram, daí que, diante do vendaval, seguido de forte chuva no último dia 16, devemos encaminhar alguns questionamentos. Nem só a vulnerabilidade social agravou os efeitos do rápido vendaval, uma vez que regiões com habitantes socialmente bem postos na escala econômica se viram vítimas do inusitado fenômeno. Nem mesmo construções tidas como sólidas – prédios de uso público como a Faccat e a Escola Municipal Dr. Alípio Sperb – resistiram, a primeira em face de o vento ter arrancado parte do telhado e lançado-o sobre residências vizinhas, e o segundo por ter sido alvo de um telhado de um prédio industrial próximo e abandonado, que, decolando, espatifou a escola. Em ambos os casos, as coberturas eram de chapas metálicas, mais afeitas a voarem do que se estabilizarem diante de eventos daquele tipo.
A Defesa Civil, esfera social de proteção civil, a ser contemplada como responsabilidade de uma comunidade, preconiza atitudes e ações preventivas de caráter compulsório. Diante das incertezas do comportamento climático e meteorológico, está a se exigir a projeção de estruturas de engenharia civil, projetos arquitetônicos, linhas e desenhos funcionais de casas e telhados que possam, se não impedir acidentes desse tipo, minimizar os seus efeitos. Caso contrário, corremos o risco de aumentarmos as possibilidades de tragédia, que, tirante alguns feridos na escola municipal, o que sempre é lastimável, não causou maiores danos pessoais, inobstante presumirmos que os danos materiais foram de monta.
Também dos governos, no espectro preventivo de Defesa Civil, impõe-se a regulamentação do estilo de construção, tipos de telhados, material de cobertura, em especial nas regiões da cidade de maior prevalência desse tipo de comportamento climático, em especial nas zonas altas.
Por outro lado, diante da informação de que o mês de novembro tem se revelado como o de maior incidência de vendavais, cabe alertar a comunidade para que, antecipadamente, revise o estado dos telhados das casas e as condições de fixação das telhas. E as autoridades governamentais e empresa responsável pelo fornecimento de energia para que façam rígida inspeção das situações dos postes – diante do alto número de derrubados pelo vento – e da existência de árvores ameaçando as redes de energia. Assim, estaremos todos garantindo a nossa segurança, colaborando para a proteção de cada um dos nossos municípes. A Defesa Civil é isto, sobretudo, prevenção.
Cláudio Silva da Rocha
Vereador do PDT – Taquara


