PAROBÉ – Acusado formalmente por supostas irregularidades na condução do Legislativo nos anos de 2011 e 2012, por conta de uma CPI cujo relatório foi aprovado na semana passada, o vereador Altair Machado veio a público nesta semana. Trouxe à tona gravações que, segundo ele, mostram um pedido de suborno do ex-vereador Jorge Silva quando houve a votação à presidência. Silva nega as acusações, e diz que a combinação era apenas referente a cargos.
A entrevista coletiva de Machado ocorreu na terça-feira. Ele se manifestou acompanhado dos advogados Tiago Bottene, Rômulo Campana e Ademir Campana. Na ocasião, negou os fatos imputados pela CPI na semana passada, de contratação irregular de assessoria de imprensa, compra de produtos alimentícios superfaturados e problemas na contratação de uma empresa de vigilância. O advogado Tiago disse que será positivo o encaminhamento da documentação da CPI ao Ministério Público, como foi aprovado na semana passada, pois as provas, segundo ele, desmentem o relatório aprovado. Altair Machado disse que considerou “brando” o relatório, e que nenhum dos itens se sustenta. Ele afirmou que esteve na terça-feira em audiência com o promotor de Justiça de Parobé, Fernando Sgarbossa, momento em que fez os primeiros esclarecimentos relacionados à CPI.
Na ocasião, Machado também entregou ao Ministério Público as gravações que divulgou à imprensa na tarde de terça-feira. Os áudios, gravados a partir de um telefone celular, têm compreensão bastante complicada. Numa das gravações, Machado diz a Jorge Silva que não teria como pagar R$ 30 mil solicitados pelo ex-colega, que responde dizendo que Altair deveria “cumprir com a sua parte”. Machado afirma que a conversa ocorreu depois da eleição para a presidência, em 2011, e que o dinheiro deveria ser pago em troca do voto pela eleição. Como não fez o pagamento, Machado diz que sua vida se tornou um “inferno” depois desta conversa com o ex-colega, sendo, a todo o momento, cobrado por cargos e diárias para cursos por parte dos vereadores que votaram nele. Num dos trechos do áudio, Machado chega a ponderar que “se fosse um valor menor”, mas na entrevista coletiva ele disse que não pagaria nenhum montante em troca de acordo para a presidência.
No final de 2012, Machado também disse que foi procurado por Jorge Silva dizendo que, se ele votasse no vereador Vandro da Silva na eleição para a presidência deste ano, poderia ser livrado das acusações da CPI. Para o vereador Altair, que se diz vítima de perseguição política, o resultado da comissão tem a ver com a sua recusa em votar no colega Vandro, cumprindo a promessa de apoio ao atual presidente, Lindemar Hartz, o Mazinho. Além disso, Machado diz que está sendo perseguido por não ter apoiado as supostas irregularidades na gestão da ex-prefeita Gilda Kirsch, e por não ter prestado apoio à candidatura lançada por seu partido, o PTB, à Prefeitura, ficando neutro na disputa majoritária.
Ex-vereador nega acusações e diz que acordo era para cargos
Depois da coletiva de Altair Machado, o ex-vereador Jorge Silva se manifestou nesta quinta-feira pela manhã, em entrevista ao programa Painel 1490 da Rádio Taquara. Na ocasião, negou que tenha feito qualquer acordo na disputa à presidência em 2011, até porque, segundo ele, não havia possibilidade de a base de situação do governo Gilda Kirsch, integrada por ele e Machado, vencer a disputa. Segundo Silva, apenas quatro votos estavam assegurados, e a eleição de Machado só aconteceu por uma reviravolta de última hora, que acabou tirando da ex- vereadora Marizete Pinheiro a possibilidade de vitória.
Quanto à conversa gravada por Altair Machado, o ex-vereador diz que cobrou apenas o cumprimento do colega de acordo referente aos cargos no Legislativo. Segundo ele, pelo acordo tinha direito a sete cargos, mas eles vinham sendo demitidos. Afirmou que também cobrou o cumprimento desta combinação para os seus colegas, dizendo que Machado vinha demitindo os funcionários a pretexto de reduzir os custos da Câmara, mas cujos valores acabaram não sendo economizados.
Jorge Silva diz que Altair Machado chegou a oferecer dinheiro para obter o apoio do ex-colega na disputa à majoritária nas eleições de 2012, uma vez que Altair queria ser candidato à Prefeitura pelo PTB. Contudo, nenhum montante foi pago, segundo o ex-vereador, que também presidiu a Câmara em 2009 e 2010 e, quando Machado foi destituído da presidência, em 2012, acabou assumindo no lugar dele. Na semana passado, Jorge Silva foi autor de um pedido de instalação de comissão de cassação de Machado, o que foi negado pelos vereadores. Ele disse que mais pessoas da sociedade também deverão fazer o mesmo pedido, sem revelar, porém, quem seriam estas pessoas.
Para Jorge, o fato de Machado ter trazido à tona estas gravações, neste momento, é uma estratégia para desviar o foco da mídia com relação às acusações da CPI. Disse ter a expectativa de que os atuais vereadores levem adiante a apuração dos fatos. Afirmou, ainda, que em nenhum momento fez promessa de que poderia livrar Machado da CPI em troca do voto no atual presidente, Lindemar Hartz, como foi mencionado pelo ex-colega.


