
A vereadora de Parobé Maristela Rossatto (PT) questionou, em seu pronunciamento na tribuna do Legislativo, nesta terça-feira (14), o gasto com diárias do governo interino do município, comandado pelo prefeito Moacir Jagucheski (PPS). A parlamentar apresentou um comparativo com outros prefeitos da região e atribuiu à gestão de Moacir o gasto de R$ 279.165,00 em 2017 e nos primeiros meses deste ano. Para a vereadora, não é possível que ocorra o corte de programas, citando o transporte escolar, enquanto há um gasto que considera excessivo nas diárias. O prefeito Moacir rebateu as críticas, destacou que os servidores tiveram a oportunidade de efetuar diversos custos e disse que as diárias que ele tirou foram para viagens necessárias a Brasília.
Nesta quarta-feira (14), a vereadora participou do programa Painel 1490, da Rádio Taquara, onde falou sobre o assunto. Maristela comparou os gastos de Parobé com Igrejinha, Três Coroas e Taquara. No caso de Igrejinha, segundo os dados da vereadora, o total gasto com diárias foi de R$ 18.548,00. Já em Três Coroas, o montante é de R$ 28.840,00 e, em Taquara, de R$ 45.595,00. Segundo a vereadora, estaria ocorrendo, em Parobé, casos de diretores e secretários realizando visitas em Brasília a fim de conquistar verbas de emendas parlamentares por parte de deputados. Maristela defende que grupos não podem ser liberados para viajarem a Capital.
A vereadora disse que na próxima semana deverá estar apresentando a relação dos usuários das diárias liberadas pela Prefeitura. Reforçando que considera excessivo esse gasto em Parobé, dentro do governo interino, Maristela questionou que o dinheiro poderia estar sendo utilizado na manutenção de programas que, segundo ela, foram cortados pela administração, citando o transporte escolar, que foi alvo de polêmica neste começo de ano em Parobé.
Dados levantados pela reportagem junto ao Tribunal de Contas (TCE) mostram que, de 2013 a 2016, quando o governo de Parobé foi do PT, o gasto com diárias foi de R$ 550 mil. Os números foram apurados através da consulta à rubrica orçamentária diárias cujos valores são publicados no site do TCE, no portal de transparência. Já em 2017, o total gasto em diárias foi de R$ 246.337,00. Presente à entrevista, o atual presidente do partido e ex-prefeito de Parobé, Cláudio Silva, explicou a prática do seu governo de liberar diárias para cursos quando necessário. Quanto às viagens a Brasília, disse que, na maior parte das vezes, ele próprio foi a capital para dar andamento às questões do governo e, neste momento, fazia a intermediação de recursos com os deputados e senadores. Silva argumentou que, por considerar que o prefeito é o representante político máximo do município, entende não ser necessária a viagem dos secretários para essa negociação.
Prefeito defende viagens a Brasília e diz que diárias também foram para cursos
Contatado pelo Jornal Panorama, o prefeito interino de Parobé, Moacir Jagucheski, se manifestou sobre a questão das diárias. Segundo ele, uma parte significativa, de aproximadamente R$ 80 mil, foi destinada aos cursos realizados por funcionários. Isso acontece por uma decisão sua de preparar os servidores para que possam assumir cargos antes ocupados por servidores de confiança, até mesmo levando em conta, segundo Moacir, que muitos deixarão as funções neste ano para concorrer e serão substituídos por profissionais de carreira.
Das diárias que ele próprio tirou, segundo Moacir, somaram de R$ 26 a 27 mil. O prefeito diz que foram necessárias por conta das viagens a Brasília tendo que resolver problemas do município. Citou que somente em uma obra de esgotamento sanitário a Prefeitura teria que devolver cerca de R$ 2 milhões, o que exigiu negociação com a União. Outro programa que poderia motivar a devolução de recursos é o Projovem, com valores de até R$ 800 mil. Além disso, o prefeito diz que buscou emendas parlamentares para Parobé em meio à negociação com os ministérios para resolver estes entraves.
Moacir diz que, recentemente, conseguiu a liberação de 32 moradias populares cujos recursos foram captados na capital federal. Jagucheski estima em R$ 5 milhões o total de verbas obtidas com a União através destas viagens. O prefeito ainda citou o exemplo do videomonitoramento, que tem verba de R$ 1,2 milhão, e para a segurança, cujos recursos serão de R$ 770 mil. “Parobé será o único município da região que terá uma central de monitoramento e estamos trabalhando, também, no cercamento eletrônico”, acrescentou. O prefeito disse que os vereadores sabem de sua atuação e lembrou que vários gastos com diárias também eram feitos no governo petista.
Assista a íntegra da entrevista com a vereadora Maristela e o ex-prefeito Cláudio:


