Cultura e Lazer

Victor & Leo em Igrejinha

Dupla mostra que tradição e modernidade podem coexistir Mais do que um megashow, com a dupla sertaneja mais bem sucedida

Dupla mostra que tradição e modernidade podem coexistir
Mais do que um megashow, com a dupla sertaneja mais bem sucedida dos últimos anos, quem foi ao parque da Oktoberfest, em Igrejinha, na noite do último sábado, pode mais uma vez comprovar a ideia de que o tradicional e o moderno podem dividir o mesmo espaço, sem que o primeiro seja suplantado pelo segundo. Antecedendo o texto que publicarei no jornal Panorama da próxima sexta, convido os leitores do site a conferir aqui alguns trechos do show de Victor & Leo na tentativa de, mais uma vez, convidar alguns radicais a que deixem de lado os preconceitos e abram seus ouvidos para quem tem talento.
Durante cerca de uma hora e meia, os irmãos mineiros fizeram um show que entrou para a história do Paranhana, rivalizando em tamanho e qualidade com poucas apresentações já vista por estas bandas. Nos últimos dez anos, lembro apenas de Ivete Sangalo, na Oktoberfest, e Sandy e Júnior, na Novemberfest, como shows que reuniram a mesma expectativa. A estrutura de palco, som e luzes certamente foi no mesmo nível e Victor & Leo só não repetiram a mesma quantidade de público porque talvez o frio e valor caro dos ingressos na hora podem ter afastado parte da assistência.
No palco, os dois não decepcionaram, cantando praticamente todos os sucessos da ainda curta carreira. Mesmo tendo quase vinte anos de música, eles ficaram conhecidos a pouco mais de três anos, e não foi só porque apareceram na TV, como pensam alguns mais apressados. E para ganhar o público logo de cara não economizaram nos elogios aos gaúchos, como se pode ver no vídeo a seguir:

Conquistado o coração da platéia, foi a vez de despejar hits, como o sucesso mais recente, “Ao Vivo e em Cores”, nos dois trechos a seguir:

E aí veio a parte que mais me interessa e que foi certamente o ponto alto do show. Mesmo conscientes de que as músicas românticas são importantes para agradar aquele que hoje é o maior público consumidor de música, as mulheres jovens e ainda ingenuamente apaixonadas, Victor e Leo não deixam de lado as raízes caipiras, cantando “60 Dias Apaixonado”:

Outra demonstração das origens vem com Victor na introdução de “Cavalo Enxuto”, quando ele também aproveita para comprovar seus dotes de instrumentista:

Outro discurso em defesa das raízes sertanejas veio a seguir na introdução de “Lá em Casa”, um típico exemplo do que deve ser uma moderna dupla caipira:

O maior momento do show, na sequência, revela o quanto o público gosta de músicas tradicionais, com as palmas e o coro da plateia em “Deus e Eu no Sertão”:

Em “Vida Boa”, outra vez o público canta junto:

Ganha a parada, Victor & Leo puderam ir embora tranquilos de que haviam deixado mais uma legião de fãs no sul do país. Os sucessos Ao Vivo e a Cores e Borboletas voltaram no bis para fechar com sucesso um show que praticamente não teve um único momento de queda. Para as fás, a notícia boa é de que ainda vão ouvir muito a dupla mineira nos próximos anos, e os radicais do puritanismo ainda terão várias oportunidades de reverem conceitos.

Por João Müller

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