Em entrevista à Revista Galileu deste mês de agosto, o filósofo Peter Singer, professor de bioética da Universidade de Princeton, defende uma regulamentação universal que preze pelos direitos dos animais, de forma a garantir o fim dos maus-tratos e uma vida digna a todos eles. O assunto sobre consciência animal e reconhecimento à individualidade e às mudanças na forma de tratar os bichos, com base em descobertas científicas reveladoras, ganha dez páginas explicando estudos que revelam que os animais têm consciência e capacidade de sentir e sofrer.
O tema não poderia ser mais atual e urgente, no momento em que vejo cada vez mais pessoas se preocupando com os animais. Poucas coisas são tão unânimes entre nós quanto esse amor incondicional (além do amor de mãe, é claro e bom citar, antes que eu seja linchada publicamente). Não apenas aos seus pets de estimação, mas a qualquer ser vivo, e isso inclui desde os animais de rua até aquele passarinho preso na gaiola do vizinho. É fácil amar o que é da gente, mas quero ver você se dedicar à vida de um ser vivo que é do mundo e, por tabela, pertence a todos nós habitantes desta cidade, deste país, deste planeta.
Amar é um aprendizado que vem de berço. Começa em casa, ensinando os filhos a zelar por tudo e por todos, independentemente de classe social, raça, cor ou credo religioso. Claro que é mais fácil cuidar do próprio umbigo e do seu cachorrinho com pedigree, mas isso é apenas a base para que se expanda a compaixão e o grande ensinamento que deveríamos deixar, que é também aprender a olhar e a cuidar dos outros, em comunidade.
Quando conseguimos entender o amor em suas diferentes formas, convencionais ou não, o mundo se amplia. Não vejo diferença entre os meus gatos (muito bem cuidados dentro do meu apartamento) e os de rua, que eu alimento da mesma maneira, com a mesma ração. Claro que não posso abrigar a todos em minha casa, mas posso fazer a minha parte como cidadã, com a certeza de que eles precisam desse atendimento básico para sua sobrevivência tanto quanto as pessoas abandonadas, que eu também auxilio, na medida do possível.
E não vai aí nenhum comparativo diferenciando gente de bicho. Para mim, não há o que comparar porque as duas espécies têm a mesma importância na escala da evolução. Todos sentem fome, frio e, agora, comprovadamente, têm sentimentos e consciência (alguns animais mais do que alguns humanos, diga-se de passagem). Na verdade, todos são seres vivos, animais que respiram, fazem xixi, cocô, nascem, crescem e morrem, ansiando por amor e segurança. Para sempre, se possível.
Muitos, talvez, não consigam ver nada além de si mesmos refletidos no espelho. Outros, não têm efetivamente nada para dar, nem à comunidade, nem a si mesmos, quanto mais aos animais. Em pleno século XXI, é lamentável testemunhar Neandertais que sobrevivem à idade da pedra. Eita, vida! Estamos lascados, mesmo!
Esta postagem foi publicada em 9 de agosto de 2013 e está arquivada em Paralelas.



