Do meu tuíter @Plinio_Zingano – A maquiladora disse à cliente, no Esquadrão da Moda do SBT: “Vou te dar um ar mais alegre e jovial!”. Epa! “Jovial” significa “alegre”.
VIDRO
O vidro é um mistério. Não daqueles mistérios insondáveis, que mobilizam místicos e mistificados, essas duas entidades tão complementares em sua intensa relação. Atualmente, diante de um pano de vidro não veremos nenhum exorcista, gritando, guturalmente, “sai deste corpo, ele não te pertence”. Ou o padre Quevedo, de crucifixo em punho, caminhando em direção a uma envidraçada janela, bradando em portunhol: non exsiste. Sabem por quê? Porque ele, o vidro, existe.
A questão metafísica, ou parafísica (esta vai por dedução, pois os dicionários ainda não a registram – pelo menos os consultados) sobre o vidro já deve ter encasquetado e assustado muita gente no passado, quando ele foi inventado, provavelmente por acidente. Ainda no século XVII, bem próximo de nossa época, veja o exemplo, na Inglaterra, muitas construções evitavam ter demasiadas janelas, pois, como elas precisavam usar vidro, acarretariam impostos bem pesados para a edificação por ser, aquele, artigo considerado de luxo. Chegavam os construtores ao cúmulo de apenas sugerir a existência da abertura através de pinturas (o conhecido trompe l’oeil). Ou, em último caso, ficariam tais aberturas sem o precioso material, sendo ele reservado mais para os dormitórios. Hoje, nós simplesmente usamos o vidro e pronto.
Mas, cá entre nós, mesmo com todo o nosso avanço científico e conhecimento sobre as coisas, o vidro deixa uma janela aberta para as mais etéreas lucubrações possíveis (desculpem-me; não me contive diante da possibilidade do trocadilho). Olhe para ele. Se estiver extremamente limpo, e não houver reflexos – duas condições perfeitamente aceitáveis, o vidro antirreflexo é real e a limpeza, bem, é questão de capricho – nada veremos. Nossa vista se estenderá através da barreira concreta. Não conseguiremos olhar para o objeto sólido a nossa frente. Sempre olharemos através dele.
Já pensaram? É uma loucura! Que o digam as moscas, jamais conseguindo transpor aquela parede, para elas inexistente! É a realização do mais profundo sonho do ser humano: ver através dos corpos. O vidro nos concede a famosa visão de Raio X, transformando-nos, consequentemente, em super-homens reais, validando as histórias em quadrinhos.
Não, meus amiguinhos, não entrei em surto filosófico, o que até seria bom para o exercício da mente. Desconfio que meu surto seja algo na área do transtorno obsessivo-compulsivo. Quando chega a hora de me livrar daquelas embalagens de vidro em que são vendidos os pepinos, os picles, as azeitonas isto acontece. Mantenho-as por algum tempo, aproveitando para guardar um que outro gênero alimentício; porém, de repente, quando o estoque aumenta muito, só existe uma dolorosa solução: mais alguns lindos potes de vidro para o lixo! É uma catarse.
Agora preciso comprar mais azeitonas e picles para começar tudo de novo.


