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Esta postagem foi publicada em 20 de setembro de 2021 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Viés, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – O clímax da sabedoria humana é atingido entre 15 e 19 anos de vida. Depois, é a derrocada até a estupidez total. Pergunte aos adolescentes!

VIÉS

No título, uma palavrinha malandra. Não que as palavras tenham em si a intenção de decidir o comportamento em sociedade, enganando seus usuários. Na verdade, quem induz ao engano, são os usuários, na maioria das vezes, por desconhecimento do seu real significado. “Viés” significa, grosso modo, “inclinação”. Daí, a derivada “enviesado”, esta de uso bem comum e compreensível. Um dos empregos importantes do termo em questão, é a tendência de induzir algo em uma certa direção. Então vemos o viés de alguma coisa, levando para uma conclusão pretendida por alguém. Ou seja, no popular, o viés garante a “enrolação” do respeitável público, sem fazer o enrolador sentir remorsos, porque “não foi bem isso que foi dito/escrito”. Essas intenções são comuns em textos, discursos e comentários, quando seus autores não querem ser identificados fazendo alguma declaração, mas criam as condições para sua audiência pensar exatamente como eles pretendiam. Por isto falei na malandragem do viés. Acompanhe-me para ver se chegamos às mesmas conclusões sem lançar mão de vieses.

Entre várias, existem duas categorias profissionais, essencialmente, dedicadas à divulgação de informações. Suas matérias-primas são, exatamente… a informação. Falo na propaganda e no jornalismo (cada qual com alter ego, nem sempre confiável). Estou dizendo coisas, aparentemente, desagradáveis apesar de, eu próprio, com esta coluna, atuar num dos ramos citados – o jornalismo – e, antes de vir para Taquara, ter trabalhado no outro – a propaganda – tantas vezes já relatado aqui. O fato é que, numa como noutra atividade, está implícita a necessidade da ação de convencimento sobre as atitudes de um público-alvo. E tanto numa como noutra, tal convencimento usa a matéria-prima mencionada acima: informação. No afã de atingir o objetivo, os agentes das informações, codificadas em palavras (faladas, escritas) ou imagens, usam armas disponíveis para a codificação. O viés, tema deste comentário, é uma delas.

Nos anúncios, a linguagem é, descaradamente, facciosa, forçando conclusões positivas para o anunciante. O público, embora note excessos, ignora, pois não resulta em alterações no modo de vida individual. Já no noticiário, principalmente no político, o buraco é mais embaixo e dissimulado. O perigo existe na forma de vieses. São perigosos pelos potenciais resultados, pois alteram, sim, a vida coletiva (e, por consequência, a individual). A sociedade passa a acreditar naquilo que o jornalismo NÃO queria, mas TEVE de comunicar, pois era a “verdade”.

Olho vivo no viés da informação! Podemos estar sendo enrolados.

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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