
Você está vivo?
Um professor de yoga, já não mais na cidade, conhecido meu faz mais de vinte anos, tem como mantra “respirem”.
Mas a respiração sobre a qual ele fala não é aquela que fazemos cotidianamente, ou seja, aquela que realizamos sem notar, sem nem nos darmos conta de que estamos respirando.
Quando ele falava em respirar seu tom de voz se ampliava mais ainda e nessa maior ênfase ele disparava: “tem que sentir o ar entrando pelas narinas e o estômago subindo, subindo, subindo e então o ar sai pela boca, o estômago se recolhe, se encolhe, o ar entra…”, e ia seguindo nesse ritornelo tom marcial. “Quem não respira assim, e ainda por cima anda de cabeça baixa, olhando para o chão, está morto, morto e caindo em direção ao túmulo” – e essa parte do ensinamento nos chegava como uma zombaria sinistra, uma regra assustadora, mas necessária, para que tomássemos consciência de até que ponto ainda estávamos vivos.

Por sua vez, mais se completa essa ideia do parágrafo acima, ao sabermos que várias culturas, como a dos vedas, por exemplo, em seus inícios antigos já conhecia sobre a importância de um bom respirar, inclusive determinar a tal ato uma veneração de âmbito espiritual-religiosa relacionando-a de forma inseparável ao Prana.
Mas o que é o Prana?
Prana é a energia vital que constitui, organiza, mantém, movimenta os elementos; de forma externa a nós, a natureza, e interna, dentro de nós – onde há picos de maior acumulação dele em nosso corpo.

Quando respiramos trocamos Prana, recebemos a essência do externo, emanamos o nosso âmago interno numa troca que nos integra na totalidade de tudo. No entanto, para que essa permuta seja favorável, requer que se siga a receita do meu conhecido acima, ou seja, sem a necessidade de ser rápida, e conforme, de grandes profundezas, essa troca precisa ser constante, e, principalmente, consciente.
Muitas vezes estamos de baixo astral, cansados em nosso físico, ou nosso psicológico ou no espiritual, ou em todas essas alternativas, e nem nos damos conta de que isso pode estar ocorrendo por não estarmos respirando direito, ou seja, as possiblidades de uma boa respiração vão muito mais além de suas funções básicas – oxigenar as células e eliminar o gás carbônico – o que já não é pouco. Ela tem uma relação sagrada com o viver, com o existir do indivíduo.
A vida nos levou por caminhos diferentes, mas nunca esqueci a lição do mestre, embora só mais recentemente, e com mais assiduidade, esteja aplicando suas verdades, e assim voltando a viver, voltando dos que morriam sem respirar, e nesse retornar tive uma fascinante iluminação que me fez entender mais ainda o poder da ligação das narinas com a integralidade plena do existir. Assunto que vai para um próximo texto.


