O impacto da perda das residências consumidas pelas chamas na última sexta-feira (25) tem sido amortecido pela solidariedade de pessoas e entidades às famílias atingidas. Mantimentos, roupas e móveis têm chegado constantemente aos moradores das cinco casas totalmente destruídas e das outras duas parcialmente danificadas às margens da ERS-115, no bairro Santa Maria, em Taquara.
A dor ainda consome a dona de casa Maria Jaci de Oliveira, 64 anos. Enxugando as lágrimas, recorda que foi naquele lugar que criou os 13 filhos e onde passou maior parte da vida com o marido já falecido. Foram anos para construir a casa humilde de madeira. O pranto da senhora é amparado pela filha Carine de Oliveira, 23 anos. A jovem orava em seu quarto no momento em que o incêndio iniciou. Quando escutou alguém gritar da rua sobre o fogo, saiu rapidamente de casa e passou a alertar os outros moradores.
Mãe e filha contam que a ajuda da comunidade tem sido formidável. “Jamais iríamos imaginar que tanta gente se importaria conosco”, comenta Carine. Ambas, juntamente com alguns dos desabrigados pelo incêndio, têm passado as noites em um prédio em que funciona uma pequena igreja, ao lado do local incendiado.
Carros com placas de cidades da região param constantemente na calçada próxima de onde ocorreu o incêndio e descarregam sacolas de comida. Um dos membros da ONG Força Tarefa Serra Gaúcha, Jorge Moreira, trouxe cerca de 590 quilos de mantimentos doados por moradores de Gramado e Canela, além de algumas roupas e materiais de limpeza, na manhã deste domingo de Páscoa. “É o momento de as pessoas mostrarem exemplo de amor ao próximo”, reforça.
Outros voluntários se dispuseram a promover eventos para ajudar na compra de materiais de construção para refazer as casas, como lembra o morador Maicon Rodrigo Vargas de Oliveira, 30 anos, que perdeu o lar onde vivia com a mulher Sandra de Oliveira, 25 anos. “O cara se emociona”, afirma. “Eu agradeço a Deus por estarmos todos bem”, completa, com os olhos verdes marejados.
Maicon queimou dois dedos dos pés tentando salvar o que tinha dentro de casa. A mulher dele comenta que durante o incêndio, pessoas tentavam ajudar a retirar os móveis das residências. Muitas delas eram desconhecidas do casal e estavam ali apenas para auxiliar no socorro. “Tem gente que passa no mercado e viem nos trazer alimentos. Está difícil, mas todo este apoio está ajudando a amenizar a dor”, garante o homem, refletindo que “a única coisa que não se reconstrói é a vida”.


