Duas bicicletas roubadas e eu não morri por ter que me deslocar a pé para trabalhar, até comprar uma outra bike, novinha, para chegar à redação. A cena pode parecer surrealista hoje, em meio ao caos que se transformou o trânsito no centro de Taquara, mas era assim que eu me locomovia rapidamente para o Jornal Panorama e Rádio Taquara, e depois para a Sucursal do Jornal NH, nas décadas de 80 e 90, antes e depois de concluir o curso de Jornalismo na Unisinos.
Durante anos, a bicicleta foi o meu único meio de transporte até o trabalho, exceto quando chovia muito e eu ganhava uma carona do meu pai ou de algum colega. Depois, aprendi a dirigir meio na marra, como condição para exercer a profissão de repórter e poder me deslocar com mais agilidade e autonomia nas pautas de rua.
Mesmo assim, para meu transporte particular, utilizava a bicicleta na maioria das situações. Carro do pai, apenas no final de semana, e olhe lá! Cheguei a ir de bicicleta para o trabalho, esquecê-la no pátio, e voltar a pé para casa, mas de carro era coisa rara.
Isso, para quem não sabe, no tempo (e nem faz tanto tempo assim, viu?) em que dava para transitar de bicicleta pela cidade tranquilamente, entre poucos carros e alguns pedestres na rua principal, todos muito educados, diga-se de passagem.
Hoje, a situação beira o caos e eu (você e todo mundo), dia desses, acabei, por ironia do destino, vítima de um ciclista que circulava alucinado entre os veículos e abalroou meu carro que estava estacionado em frente ao supermercado. Menos mal que não foi um atropelamento e ninguém saiu ferido, pensei, tentando entender a situação daquele estranho que me dizia coisas desconexas até me deixar sair dali.
Cito o episódio como um exemplo pequeno e quase insignificante diante do que tenho testemunhado todos os dias, em horários de pico, no trânsito pelas ruas centrais da cidade. Claro que isso não é “privilégio” de Taquara, justamente uma cidade do interior, onde tudo teoricamente seria mais calmo, só que não é mais. Taquara, Porto Alegre, Parobé, São Paulo, Belo Horizonte, Igrejinha. É tudo igual, guardadas as devidas proporções. As vias públicas não foram projetadas para este volume de carros circulando, e que aumenta cada vez mais.
Os poucos ciclistas bem que tentam competir com os veículos, disputando um lugar ao sol, mas saem em flagrante desvantagem. Assim como os pedestres e alguns bons motoristas pagam o pato por serem gentis e atenciosos no trânsito, enquanto um bando de mal educados tenta passar o sinal vermelho, outros dissimulados não respeitam a faixa de segurança e outros, ainda, querem prioridade de qualquer jeito, incluindo-se aí alguns ciclistas, motociclistas, taxistas e transeuntes, sim senhor, que mataram aquela aulinha básica de boas maneiras e não decoraram nem o significado da placa de PARE!
Hoje, tenho uma bike usada na praia, onde ainda consigo andar tranquilamente, de março a novembro, ao menos, sem precisar tirar o carro da garagem. Pena que aqui em Taquara não dá mais para fazer o mesmo. Saudade das minhas duas bicicletas roubadas.
Esta postagem foi publicada em 23 de agosto de 2013 e está arquivada em Paralelas.


