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Empresário vê setor calçadista em seu pior momento e defende mudanças econômicas

TRÊS COROAS – O empresário Werner Arthur Müller Júnior, que dirige a Werner Calçados, assumiu, no último dia 5, a

TRÊS COROAS – O empresário Werner Arthur Müller Júnior, que dirige a Werner Calçados, assumiu, no último dia 5, a presidência do Sindicato das Indústrias de Calçados de Três Coroas. A solenidade aconteceu na Sociedade 12 de Janeiro, marcando, também, a posse dos demais integrantes da diretoria. O dirigente empresarial afirma que o setor passa, no momento, por um dos seus piores momentos. Para ele, a solução é criar uma estrutura fabril enxuta e que tenha agilidade em lançar produtos eficientes.

 

Em entrevista concedida ao Panorama, Werner citou uma série de projetos desenvolvidos pelo Sindicato de Três Coroas a que pretende dar continuidade. Entre eles, o Amanhã Mais Feliz, que cuida da destinação correta dos resíduos industriais. Além disso, há a Escola do Sapateiro e o Menor Aprendiz, responsáveis por atividades de qualificação profissional. Atualmente, segundo Werner, são 225 alunos e já foram formados 330. Há outros envolvimentos do Sindicato que dizem respeito especificamente à área calçadista, como o projeto de feiras, que incentiva eventos de venda realizados em Gramado, e a criação da cooperativa Ecocredi, liderada pela entidade.

 

O Sindicato ainda procura manter engajamento nas questões da comunidade três-coroense, citando como exemplo as câmeras de monitoramento. Outro destaque é o trabalho de representação do setor calçadista junto às demais entidades do setor. Segundo Werner, o Sindicato de Três Coroas tem sido um dos protagonistas na luta pela equiparação do ICMS gaúcho com o dos demais estados, uma das medidas de impulso à cadeia calçadista ainda não adotada pelo governo do Rio Grande do Sul.

 

Avaliando o atual cenário do setor calçadista, Werner diz que, tristemente, toda uma cadeia produtiva antes robusta está se enfraquecendo. “A realidade é de empresas fechando ou diminuindo de tamanho, enfraquecendo-se estruturalmente e financeiramente. E a visão de curto prazo não é muito alentadora. A verdade é que o mercado varejista do calçado tem mudado muito e de forma muito rápida. Muitas indústrias não estão conseguindo dar a resposta da maneira correta”, comentou. Para ele, a entrada de novas redes internacionais no mercado varejista e o domínio das monomarcas no varejo de vestuário e calçados comprometem o funcionamento do setor. Além disso, citou o apogeu do fast fashion, que requer lançamentos cada vez mais frequentes e encarece os custos de produção da indústria. Há problemas, ainda, relacionados à crescente burocracia brasileira e a economia estagnada, com endividamento do consumidor e o dólar baixo. Para Werner, a solução é o lançamento de produtos eficientes, com estrutura enxuta, unido a uma identidade de marca e de mercado.

 

Quanto à política econômica, o empresário é radical, dizendo que tudo precisa ser modificado, pois o caminho trilhado atualmente é o errado. “Entretanto, se a economia voltar a se estabilizar um pouco e, principalmente, se o dólar voltar a ser convidativo novamente para as empresas exportarem, isso ajudaria a super oferta no mercado interno a diminuir e as empresas voltariam a ter melhores margens”, comentou. Para tanto, segundo ele, o Sindicato de Três Coroas está lutando, junto com as demais entidades do setor, a fim de interferir numa mudança econômica.

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