
A literatura como ferramenta para compreender o outro e resistir ao retrocesso foi o tema da conversa entre o ator e músico Werner Schünemann e a escritora e roteirista Letícia Wierzchowski, em entrevista à Rádio Taquara, antes da mesa “O Tempo das Histórias”, realizada na noite de sexta-feira (7), durante a 2ª Festa Literária Internacional de Taquara (Flitaq) Sesc, no Largo da Praça Marechal Deodoro.
Schünemann destacou a importância dos livros como forma de interpretar o mundo e de cultivar a empatia, algo que, segundo ele, está em falta nos tempos atuais.
“Não existe outra maneira de compreender a realidade a não ser lendo. A única maneira de compreender seres humanos é lendo ficção”, afirmou.
Para o ator, os personagens que habitam os livros ajudam o leitor a entender a si mesmo e os outros. “Você não conhece quinze pessoas tão profundamente quanto conhece alguns personagens de um livro ou de um filme”.
Schünemann também refletiu sobre o papel dos eventos literários fora dos grandes centros. “É essencial que uma cidade como Taquara tenha um evento desse tipo. Estamos num momento crítico de retrocesso na compreensão da realidade, e encontros como este são boias salva-vidas. Tomara que as pessoas se agarrem a elas”, disse.
Letícia Wierzchowski, autora de A Casa das Sete Mulheres, destacou a intersecção entre literatura e audiovisual, campo em que transita há anos.
“Faz muito tempo que comecei a migrar da literatura para o roteiro. Hoje, acho até que escrevo mais roteiros do que livros. Essa intersecção é muito rica, e te dá novas ideias. E, quando aprendi a escrever roteiros, passei a fazer melhor literatura”, contou.

A escritora também ressaltou o papel da arte como caminho para o desenvolvimento social. “Vivemos num país onde ainda falta empatia. Quando você lê um bom livro ou vê um bom filme, você aprende a se colocar no lugar do outro. A arte é fundamental para crescermos socialmente e para que os jovens de hoje façam do nosso país um lugar melhor amanhã”, disse.
Durante a conversa, Letícia falou ainda sobre seu livro de crônicas, fruto de 15 anos de colaboração com o jornal Zero Hora, chamado ‘Por Onde o Tempo Passa’.
“Em vez de indicar peças, shows ou viagens, eu indicava pessoas. Gostava de contar pequenas histórias de gente da minha vida, do passado, da minha rua. O livro é quase uma constelação de histórias humanas”, descreveu.
Werner, por sua vez, comentou sobre seu projeto musical Werner e o Bando, banda de blues rock que retomou após anos afastado da música. “Sempre fiz música desde a adolescência. Parei porque as composições ficaram complexas demais, mas voltei há cerca de um ano e meio. Esse grupo me procurou com uma proposta e, por coincidência, eu tinha um projeto parecido. A gente se encontrou e começou a tocar juntos”, contou.
O ator também revelou que o filme Verdes Anos, um clássico do cinema gaúcho, será exibido em uma mostra especial na Assembleia Legislativa, em comemoração aos 190 anos da instituição. “É um filme difícil de exibir porque a trilha sonora não está liberada, mas vai ter uma surpresa no final da sessão”, adiantou.


