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Xepa das vacinas: como os municípios da região estão administrando a sobra das vacinas do coronavírus

Municípios têm autonomia para distribuir as vacinas que sobram da forma que for mais conveniente para a sua localidade
Imagem ilustrativa

Chamada de “xepa”, em referência a um termo utilizado nas feiras de rua, a sobra das doses de vacinas contra a Covid-19 (novo coronavírus) ao final do dia, tem sido, em muitas cidades do país, distribuídas para pessoas maiores de 18 anos, sem comorbidades, e que ainda não tiveram seu grupo específico convocado para a imunização.

Essa distribuição, que normalmente ocorre no final dos drive-thrus, precisa ser feita em razão da validade específica de cada vacina, depois de aberta. A da Pfizer pode ser conservada por até seis horas, a CoronaVac por até oito e a Oxford/AstraZeneza por 48 horas. Como cada frasco contém 10 injeções, a prioridade é evitar o desperdício de qualquer um dos três imunizantes utilizados em cada ação.

Nas cidades do Vale do Paranhana, os secretários municipais de Saúde são unânimes em afirmar que, devido ao gerenciamento cuidadoso na distribuição das vacinas, além da pequena quantidade de doses de cada remessa enviada pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, poucas foram as vezes em que precisaram utilizar a xepa das vacinas em pessoas de grupos prioritários que ainda não foram chamados.

Em Taquara, a secretária de Saúde, Ana Maria Rodrigues conta que, durante todo esse período de vacinação, o município teve apenas 12 doses que sobraram no final de um drive-thru, mas que foram aplicadas no grupo seguinte e em pessoas acamadas.

“Procuramos evitar ao máximo a abertura de frascos desnecessários. Cada drive a equipe fica atenta ao número de carros, e pessoas na fila, e assim evitamos sobras ou perdas. Até o momento não tivemos nenhuma perda de doses. Todas as vacinas que foram retiradas do frasco foram aplicadas”, informa Ana Maria.

Em Parobé, conforme Ana Elisa de Lima, secretária de Saúde, até o momento, o município registrou poucos casos de sobra de doses das vacinas contra a Covid-19, mas sempre foram utilizadas no mesmo dia da ação.

“Sempre que chega no final da vacinação, quando notamos que ainda restam menos de 10 doses, e algumas pessoas do grupo prioritário que ainda não se imunizaram, nós entramos em contato com essas pessoas, pelo WhatsApp da secretaria, e solicitamos que elas venham até o drive-thru, para aplicar a dose do imunizante”, conta Ana Elisa.

Em Rolante, o secretário de Saúde, Ricardo Gonçalves, orienta sua equipe para que esteja sempre atenta ao prazo de validade das vacinas, justamente para que não se perca nenhuma dose no frasco. Além disso, os agentes de Saúde também realizam um trabalho de busca dos grupos prioritários, a cada drive-thru realizado no município.

“Usamos os agentes de Saúde para a busca ativa da população alvo da vacinação e, quando necessário, realizamos o chamamento dessas pessoas. Geralmente, nos organizamos para que não haja sobra em frascos, seja pelo agendamento ou nos drive-thrus. E, ultimamente, como o grupo de vacinação é maior que o quantitativo de doses que chegam a cada remessa, não está havendo nenhuma xepa, analisa Ricardo.

A pouca quantidade de doses encaminhada pela Secretaria Estadual de Saúde, na véspera de cada atividade de imunização, também foi apontada pelo secretário de Saúde de Riozinho, Ramão Corso, ao garantir que a sobra de vacinas é uma situação pouco comum no município.

“Na verdade, por sermos um município pequeno, onde quase todos se conhecem, a maioria das ações de vacinação que fizemos é organizada dentro do Posto de Saúde Central. E são efetuadas por um, ou no máximo dois vacinadores. Esta situação de sobra nos frascos é rara, até por recebermos pouquíssimas doses a cada remessa, dificilmente temos alguma sobra em um dia de ação”, explica Ramão.

Em Igrejinha, o secretário de Saúde, Vinicio Wallauer, relata que o município não tem um levantamento exato de quantas doses sobraram ao final de cada ação de imunização, mas garante que não houve nenhum caso de desperdício de vacinas, já que a secretaria de Saúde utiliza seu cadastro informatizado para buscar, dentro dos grupos vacináveis, as pessoas que já estejam em tempo de se imunizar e, por algum motivo, ainda não o fizeram.

“Não há sobras de doses. Sempre que as ações de vacinação terminam, as doses retornam para a Unidade Sanitária, onde a equipe realiza uma busca para encontrar pessoas, das faixas etárias já contempladas, e que ainda não tenham se vacinado. Se isso não for possível, a equipe entra em contato com as pessoas do público imediatamente posterior”, descreve Vinicio.

Assim como nos outros municípios do Vale do Paranhana, o secretário de Saúde de Três Coroas, Tiago Ferrão, mantém um controle rigoroso na aplicação da vacina contra a Covid-19, tomando o cuidado para que nenhuma dose seja desperdiçada ao final de cada ação.

“Até o momento, foram feitas poucas doses da xepa. Não chega a 15 doses, no total de toda a vacinação. Aqui no município, não temos um cadastro de interessados nessas doses, geralmente o pessoal fica aguardando, até o final do expediente e então, se houver sobra de doses, tenta se imunizar”, comenta Tiago.

Seja convocando pessoas por telefone, ou aplicando as doses em quem estiver aguardando o término da ação de imunização, os municípios têm autonomia para distribuir as vacinas que sobram da forma que for mais conveniente para a sua localidade, desde que sigam o Plano de Operacionalização da Vacinação (PNO) do Ministério da Saúde.