
Do “Meu cinicário” – Jamais quis ser um velho sábio. Apenas sábio! Mas a vida só me deu a outra alternativa. Então, luto para envelhecer com sabedoria!
XOU DE INFORMAÇÕES
“Escrever é liberdade! O escritor toma fatos reais e diz que é ficção ou toma ficção e diz que é realidade. Quer dizer, pode mentir sempre!”. Essa é uma daquelas frases de abertura de meus textos (o Cinicário). Ela foi usada numa das crônicas da série anterior de “Penso, logo insisto” aqui, no Panorama, mas me parece muito atual. Na verdade, ela define um marco na atuação de quem escreve. Aqueles que o fazem por literatura gozam dessa prerrogativa: a de inventar, usando sua criatividade para tecer histórias. Tais histórias, embora possam causar impacto, são sempre levadas na conta da ficção. Ou seja, o leitor sabe: está tratando com o fruto da invenção de contadores de histórias. Embora o romance “O código Da Vinci”, do norte-americano Dan Brown tenha todas as características de narração de acontecimentos verdadeiros, a gente sabe, são frutos bem engendrados de sua imaginação.
Existe, também um ramo da escrita atendendo os famosos “baseado em fatos reais”, aviso tantas vezes usado na introdução de novelas e filmes, tentando evitar (ou, supostamente, tentando impedir) a má interpretação do distinto público a respeito dos eventos narrados. Nestes casos, ninguém poderá alegar falta de aviso. Nesse ramo da escrita, basicamente, utilizado pelo jornalismo, há escritores, abusando da boa fé de leitores e espectadores – por premissa, sua missão é narrar acontecimentos –, porém tornam-se criadores, como se deuses fossem, e inventam ou distorcem notícias. São expedientes forjados, atendendo a interesses políticos, econômicos ou legais, beneficiando os autores ou seus empregadores.
Houve um jornalista famoso, nas décadas de 1940-1950, David Nasser, que não brincava em serviço. São famosos seus casos de reportagens, relatando entrevistas inexistentes com fotos inventadas e expedições mentirosas. O apresentador Gugu Liberato também esteve envolvido em noticiário falso de grande repercussão em seu programa no SBT. Querem mais exemplos? Aquelas entrevistas, mostrando testemunhas não identificáveis, com vozes distorcidas à guisa de proteção pessoal, podem, tranquilamente, ser, apenas, representação. E os tão oportunos panelaços? Para quem tem estúdio de som e cinema, nada mais fácil de criar. Aliás, os panelaços são, muito apropriadamente, realizados à noite, mostrando grandes edifícios quase sem identificação devido à escuridão, mas mostrando janelas iluminadas para marcar prováveis “paneladores”.
A natureza dos produtores dos textos é a mesma, mas a falta de caráter marca bem a presença desses autores do segundo grupo. Nele, a informação não passa de um espetáculo, doa a quem doer!
Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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